IOF: O bote cubano da dona Dilma  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , , , , , , , , , , ,

"O governo é como um bebê: um canal alimentar com um enorme apetite, numa ponta, e nenhum senso de responsabilidade na outra." - Ronald Reagan

O governo Dilma anunciou "estudar" aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) das compras no exterior com cartão de crédito de 0,38% para mais de 4%, confome se lê na Folha.

Segundo a própria reportagem (imparcial, e ao menos sua versão online, públicagratuitaedequalidade), "O objetivo é frear o consumo no exterior". A melhor forma encontrada de se fazer isso, para nossos analistas, é fazer com que o preço de tudo no exterior seja multiplicado praticamente por 10.

imposto-de-renda.jpgA conta é clara, conforme mostra a reportagem: "Se a alíquota for aprovada, o IOF sobre uma despesa internacional de R$ 2.000 em cartão passará dos atuais R$ 7,60 para R$ 80." Diz também: "A medida visa evitar o endividamento excessivo, que pode elevar a inadimplência no futuro."

O que isso significa é que, supostamente, para evitar que o brasileiro, pouco acostumado com a dinherama que só viu na vida a partir da era Lula, fique cheio de dívidas, o governo vai tungá-lo ele mesmo, pois quer cuidar bem dos seus cidadãos. Em outras palavras, a turminha do PT acha melhor IMPEDIR que uma compra seja feita no exterior para que o contribuinte não "se endivide" do que vê-lo com dívidas e uma nova TV em casa.

Tudo isso, então, é feito para o nosso bem, pois o governo é bonzinho. O governo não quer nos ver com dívidas. Já estou até esperando um pronunciamento de Cristovam Buarque, aquele, da PEC da Felicidade, explicando que a felicidade não significa apenas dinheiro - deve também ser parcela governamental. AFinal, quando se pensa em algo bom para nós, imediatamente se pensa em um deputado e seus suplentes ou um ministro.

Paradoxalmente, afirma também o governo que "Empresários também se queixam de que importados prejudicam produtos locais". Ora, ou se está protegendo o consumidor do consumo (esse mal a ser extirpado a canetadas), ou não. É paradoxal justificar uma medida anti-consumo sugerindo outro tipo de consumo - sobretudo se a desculpa é "endividamento".

dilma-rousseff.jpgEndividamento significa apenas que o consumidor, afinal, pagará pelo que consumir. Quando o governo tenta definir o que a população deve consumir ou não, invariavelmente favorece um pequeno grupo que sairá favorecido. E aí, cai-se por terra todas as benesses que, concorde-se com o liberalismo ou não, são suas vantagens - e o preço dos produtos estar atrelado à sua qualidade é apenas a primeira delas. Já não se tem mais a garantia de que se crie um produto com baixo custo e/ou com menores custos de distribuição (ao contrário do que a esquerda pensa, os "exploradores" querem que até os pobres consumam, para poder lucrar mais): basta apenas fazer parte do "empresariado" que defende o partido no poder e usar a desculpa paradoxal que for.

Manipulação significa controle. É tão simples quanto parece.

O governo petista, agora capitaneado (?) por Dilma, neste como em outros casos, aposta todas as suas fichas na ignorância da população, entendida "população" aqui não como populacho, mas aquela fatia da sociedade que abrange do populacho à elite - ou seja, ela inteira. Como sói, aposta certo.

Como já apontava Frédéric Bastiat (1801-1850), em seu ensaio O que se vê o que não se vê (disponível no obrigatório OrdemLivre), já apontava o problema de só analisar a economia pelo que se vê, sem se analisar o que não se vê.

Quando comenta os impostos, começa com a citação que, de tão cretina, não tem como não ser encarada com ironia: "O imposto é o melhor investimento que existe; é um orvalho que fecunda! Vejam quantas famílias vivem graças a ele! E observem os seus efeitos sobre a indústria: é infinita a sua ação, é a própria vida!"

Lembrando sempre: esquerda = impostos.

O que o governo quer dizer com isso é que, fora os impostos para bens públicos (como a construção de um metrô), os maus necessários, esse tipo de imposto direcionador de consumo indica que ele entende mais sobre consumo do que nós.

leao-imposto-de-renda.jpgConsidere-se a anarquia do mercado comendo solta. Para botar uma ordem no incontrolável, o governo obrigaria (imposto tem uma etimologia clara) que uma parte do que é gasto fosse gasto com ele. Para piorar, em um sistema de capitalismo dessenvolvimentista como o nosso, o capitalismozinho mais mequetrefe já inventado, onde se consegue enriquecer mais em uma repartição pública do que descobrindo a pólvora, é favorecida uma classe de empresários que se livram da livre-concorrência, a marca mais indelével do capitalismo, ficando-se apenas com o preço que se paga pelas suas vantagens... mas sem as vantagens.

Quando se tem um escândalo de corrupção, sabe-se que o triste não é só uma parcela do nosso dinheiro ter financiado o enriquecimento ilícito de alguém: é ainda dinheiro que poderia ter movido a economia, deixando que a população (pobres inclusos) consumissem e tivessem produtos em casa (o que melhora indiscutivelmente a qualidade de vida), apenas porque o governo julga saber melhor como fazer o governo ter essa qualidade de vida.

cristovam_buarque.jpgPor sinal, segundo o senador Cristovam Buarque, o que o governo tem de fazer é propiciar "a garantia de renda, moradia, empregos". Porque, afinal, se mantivermos a anarquia do mercado, apenas os ricos terão dinheiro. Ignore-se que todo aumento de renda na baixa população, por estímulo ou não, só funcione porque o governo parou de tentar influenciá-la em outras áreas: afinal, o que seria o Bolsa Família, se não houvessem indústrias com produtos baratos e de distribuição de baixo custo nas áreas onde ele é aplicado? De que serve o Bolsa Família, mesmo eleitoralmente, sem diminuição da inflação, que exige que o governo não torre a burra inteira?

Mas o próprio senador dá com a língua nos dentes quando, após ter sua proposta de PEC da Felicidade ridicularizada por Glenn Beck, o histriônico apresentador da Fox News, afirmou: "Para se ter felicidade, não basta apenas ter os direitos. Na visão capitalista estúpida da Fox, basta ter US$ 40 mil dólares por mês para ser feliz". Ou seja: Cristovam sabe que está tirando dinheiro da população. Mas é melhor dar seu dinheiro para o governo do que ter um novo produto em casa: o governo sabe te fazer feliz, corrupção e ineficiência à parte.

impostos.jpgPara Cristovam Buarque, Dilma Rousseff e nossa esquerda, um consumidor pagar por sua moradia em uma empresa especializada no assunto, que cuida de baratear custos justamente para cometer o pecado de lucrar mais do que outra, podendo vender mais, é um absurdo. O correto é dar o dinheiro para o governo, para ele saber quais empresas "nacionais" darem certo, por comissões de orçamento erigidas por deputados e seus assessores, colocando mais encargos nos produtos X (e, apenas por mera coincidência, fazendo com que esses encargos vão para os seus cofres) do que nos produtos Y e... bem, deu para acompanhar onde foi parar o dinheiro?

Não é sem razão que a comparação da qualidade de vida de um país com o seu grau de liberdade econômica, mesmo em países que eram paupérrimos até poucas décadas (como Cingapura ou Irlanda), nunca é comentada em nosso ensino médio. E nem por nossos doutores deputados, com uma mentalidade que também saiu pouco do ensino médio.

Enquanto se fica com o "capitalismo" com a maior carga tributária do mundo, e aumentando cada vez mais, com uma economia livre, ma non troppo, o Estado vai apertando a porca e tomando conta de cada setor da vida da sociedade.

Mas não o faz como uma ditadura, no modelo cubano, prendendo e arrebentando na prática, e não só na retórica eqüidia de um Figueiredo. O faz onde, como apontava Bastiat, não se vê pela sociedade.

O aumento do IOF é exatamente esse controle social invisível. Enquanto em Cuba se domina a vida a ponto de sua população usar geladeiras como botes para fugir da ilha, a dona Dilma do PT simplesmente aumenta o preço das passsagens.

Alguém explique para a esquerda e para o PT que imposto e liberdade não se bicam nada bem.

This entry was posted on terça-feira, fevereiro 08, 2011 at 06:37 and is filed under , , , , , , , , , , , , , , . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

2 pessoas leram e discordaram

Amigo, você viu que o Mantega desmentiu a a matéria da Folha? http://migre.me/3Q09o

8 de fevereiro de 2011 08:26

Olha, meu filho: entre o jornal do sr. Frias e um pronunciamento do ministro da Fazenda publicado no blog de Paulo Henrique Amorim, eu acredito na Folha até defendendo Criacionismo.

Se a frase solta de um ministro depois de perguntado sobre uma reportagem – que pegou tão mal que ultrapassou assuntos como o Google ou o Big Brother Brasil pela manhã no Twitter – significa grande coisa como argumento, por que não acreditar em depoimentos de Erenice Guerra, José Dirceu, José Genoíno, José Sarney, Renan Calheiros e derivados?

Pode ter certeza de que o Paulo Henrique Amorim acredita.

E mesmo que tudo fosse falso, não desfaz uma linha do meu argumento.

8 de fevereiro de 2011 11:42

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