#AbaixoDecreto! #ForaSarney! E viva a revolução de sofá!  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , , , , , ,

Eu quero quebrar tudo e fazer a revolução! Mas eu o farei do meu sofá. O marechal Deodoro da Fonseca foi acordado no meio da madrugada para proclamar a República. Teve de se livrar das ceroulas do pijama, vestir a farda e ir lá, salvar a pátria. Isso foi no século XIX. Hoje, se não me falha o relógio do Windows, é século XXI. Os pauzinhos se inverteram. Eu quero fazer a revolução no meio da madrugada sem nem desembainhar a espada. Aliás, com a tecnologia wireless, quero fazer revolução sem nem me levantar da cama. Fazer meu dever cívico é obrigação; pentear o cabelo é pura frescura de séculos atrasados. Piquete is so last week. Na real, tão anos 20.

Hoje, com o Trending Topic no Twitter #AbaixoDecreto, mais uma vez rolou a grita dos verdadeiros cidadãos brasileiros: ora, deveriam fazer a revolta nas ruas. Fechar a Paulista. Fazer panelaço. Invadir a reitoria. Impedir que se ande por qualquer avenida. Levantar piquete. Pintar a cara. Batucar na frente de hospitais. Tirar as crianças da escola. Fazer como fizeram no Egito.

Esse é o jeito certo de fazer a coisa certa, não é? Trending Topic seria pra bunda-mole. E talvez seja. Mas foi para isso que inventaram a civilização: da geladeira ao revólver, todas as invenções que prosperam servem para que não só os pitboys de academia tenham algum valor de mercado e consigam roubar nosso lanche. Civilização é dar poder aos bunda-moles. Todos os homens nascem diferentes, mas Samuel Colt os tornou todos iguais.

Fazer baderna pode parecer o jeito certo, porque é o único jeito que foi conhecido de derrubar um governo, olhando para o passado. O passado não é um bom jeito de verificar o que foi certo. Na verdade, a História é a história de um bando de cretinos. Sempre que uma massa marchou para derrubar um regime, estava sendo orquestrada por uma oligarquia que queria o poder para si - e o tomou de todo, mandando a mesma massa ir pastar pouquíssimo tempo depois. O sonho de todo esquerdista, afinal, é liderar uma turba enfurecida.

sofa.jpgE por que diabos devemos ir pras ruas? Em que cargas de realidade paralela esse é um jeito melhor de se fazer política?! O sentido que se quer com isso é claro: só se é um bom cidadão, antenado e inteligente, se sua opinião precisa ser apresentada a toda a população enquanto ela vai trabalhar, estudar ou fazer alguma outra coisa daquele rol de atividades que são denominadas vida. É uma imposição da atividade política até onde ela não é mais cabível. É o sentido em fechar ruas, em gritar, em impedir a passagem de transeuntes que, afinal, têm algo mais importante do que fazer do que não fazer nada no meio da rua, mas com o objetivo de "protestar".

É legal protestar. Eu gosto de reclamar de políticos, eu quero derrubar todo mundo. Alguns, eu queria derrubar mesmo a pauladas. Mas isso eu faço na tranqüilidade da porta dos fundos do Congresso, armado de um tacape coberto de pregos. A alavanca é a maior conquista da engenharia. Um tacape é uma alavanca: sejamos progressistas com a tecnologia. Ninguém precisa fazer barricadas por isso.

mst_bradesco.jpgO pressuposto é sempre aquele de que, se um político mija fora do pinico, deve-se criar uma situação tão insustentável para a população que ela não agüente e vá arrancá-lo do seu cargo pelo pescoço. Dialética histórico-materialista. Isso funcionou com o muro de Berlim, literalmente destruído na unha. Mas é uma falta de conhecimento histórico acreditar piamente que a abertura democrática, as Diretas Já ou o Impeachment de Collor se deram pelos universitários e sindicalistas matando aula e fazendo assembléias gerais. Isso é coisa de movimentos sociais. Movimentos sociais são apenas isso, afinal: pessoas que, se não conseguem o que querem, fecham estradas e avenidas, porque são mais importantes do que transporte de alimento e ambulâncias.

Ademais, quantos escândalos rolaram no governo Lula? Houve passeata da CUT, do MST, da UNE e demais bandeirolas do PC do B impedindo acesso aos 34 hospitais da região da Avenida Paulista (8,4 mil dos 33,6 mil leitos, ou 25% dos leitos da cidade)? Em compensação, quantos "Fora FHC e o FMI!" aconteceram? Na revista Mais Valia n.º 4 há uma entrevista com duas estudantes universitárias (isso lá é coisa pra se entrevistar?!) que acharam UM A-B-S-U-R-D-O terem ido a uma manifestação e só fecharem duas faixas da Paulista. "Eles não podem aceitar isso - têm de fechar a avenida toda!" É isso que é progresso? Foi para isso que inventaram o progresso?

Os estudantes que ficaram doentes, lendo livros de filosofia política ou escrevendo de maneira mais higiênica em jornais e revistas são menos politizados do que os democratas da garganta e megafone? A Gaviões da Fiel, gritando em uníssono no metrô "Quem não for corinthiano vai pra PQP!" é a forma correta, a melhor forma de participação democrática?

forafhc.jpg A imaginação que depois formata um modelo de sociedade não acompanha o progresso científico a não ser em teocracias e totalitarismos onde o Estado impede o próprio progresso. O que essas pessoas querem é justamente querer politizar tudo, para que tudo seja questão estatal. Como se a democracia e nosso modelo de sociedade já estivesse adequado, com umas 2 ou 3 trocas de canetadas entre deputados da linha oldschool do jaguncismo na época das eleições (querendo saber quanto o Estado conseguiria controlar a internet) resolvesse todos os problemas e atualizasse nossos sistema para o século XXI, onde os eleiores não lêem mais notícias nos jornais dos candidatos, e sim os jornais dos candidatos divulgam o que seus eleitores fazem no Twitter.

Se se dizem progressistas e politizados, tratem de fazer o sistema se atualizar a ponto de uma forma populista de governo de terceiro mundo, como definir o salário mínimo por decreto presidencial, não seja mais aceita. Sobretudo, de depor contra a presidente sem precisar atrapalhar a população. Política não precisa ser assunto para quem não quer se meter com política, como Física Quântica não precisa ser assunto para quem não entende de Física, mesmo com um acelerador de partículas que pode tragar nossa galáxia num piscar de olhos.

forasarney.jpgEu quero melhorar o meu país, e por isso não vou fazer panelaço na rua. Existem coisas melhores do que um Trending Topic no Twitter? Existem, mas piquete não é uma delas. Não adianta organizarem um #forasarney no vão do MASP, e reclamarem que só foram 30 pessoas (que, misteriosamente, tinham algo para fazer, além de nada). O modelo está errado. Se a Dilma quer governar por decreto, eu quero um contra-decreto. Se na época de Collor talvez tenha sido preciso uma passeata para indicar a insatisfação popular (mesmo que fosse claro para qualquer um que tivesse uma conta poupança), hoje já não é mais. Se o governo da Dilma se desestabilizar, acho mais civilizado que notem a impossibilidade de mantê-la no cargo via Trending Topic do que fechando avenidas. Eu sou uma barricada de pijama.

Progresso é isso. Civilização é isso. Alguém imagina um dinamarquês insatisfeito com o ato de um político safado fechando avenidas por isso? Lá nem trânsito existe, que dirá alguém querendo mais trânsito pelo bem de todos.

Se só os eleitores da tag #AbaixoDecreto votassem, podem ter certeza de que o país seria melhor, sem precisar de nenhum megafone. #ForaDilma! ZZZzzzzz!

Cadê o PT oldschool, o PT de raiz, o PT 89?!  

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"Eu quero um Lula modelo 89, sem arranhões." - André Dahmer

No aniversário de 31 anos do PT, cabe sempre perguntar por que ainda existem petistas nesse mundo, além do fato de o PSDB não ter investido em Educação.

Há razões por demais óbvias para o partido ter mudado tanto. Mas não há como discutir suas vantagens e desvantagens: desde 2002, o argumento central do petismo resume-se a "Nós ganhamos", e toda dialética de cotejamento de idéias se encerra sob esta verdade científica.

O PT no Brasil pode ser confundido com a própria esquerda (a extrema-esquerda, que a cada 2 reuniões racha e cria um novo partideco, não conta). Como toda a esquerda, defendia ardentemente uma idéia antes de galgar ao poder, e passou a defender as idéias opostas assim que teve o poder em mãos.

Mas onde está aquele PT oldschool, o PT de raiz, aquele PT que passou a década de 90 inteira dizendo que o PSDB era "neoliberal", sem nunca definir o que diabos é isso (muito menos a diferença entre um liberal e um neoliberal) por ter "mania de privatização"? Por que subiu ao poder e, ao invés de reestatizar tudo, se gaba de ter mais dinheiro em caixa do que seu "herdeiro maldito", podendo até repassar certo michê para seus cupinchas (afinal, todo escândalo de corrupção passou pelas estatais: Petrobras, Correios, Caixa, Banerj, Embraer).

alca2.gifA intelligentsia brasileira universitária saudava apenas cinco anos antes da queda do Muro de Berlim o tratado de Paul Kennedy, Ascensão e Queda das Grandes Potências, que profetizava como os EUA iriam ruir, pela dialética marxista que determina que o capitalismo não "se agüenta" depois de um tempo, graças a seu orçamento militar, e o mundo, capitaneado pelo terceiro mundo (não os BRICs) se curvaria ante à nova potência: a União Soviética.

Foi-se o partido político que, apoiado maciçamente por sociólogos, historiadores e demais "intelectuais" que continuam a grassar pelas Universidades, pregava contra Collor o "socialismo", mas um tal de "socialismo democrático" - estrovenga inventada ad hoc da boca para fora quando a queda do Muro mostrou o quanto uma população sob um regime socialista quer se livrar do explorador capitalismo do outro lado, que misteriosamente era chamado de "imperialista".

alca1.jpgPor falar em imperialismo, não só o período pré-Cortina de Ferro foi jogado na lata de lixo da História, como repetia tanto Trotsky: a década de 90 inteira também, misteriosamente, desapareceu. Na década de 90, a cada aula de Geografia e História ouvíamos ad nauseam que o maior perigo para o Brasil era uma tal de Alca, que iria tomar nossos empregos, diminuir o salário de quem ainda conseguisse se manter nos seus postos e escravizar toda a população aos desmandos do Império do Norte.

Marchas e mais marchas fecharam a Avenida Paulista, pois era urgente dificultar o acesso aos 34 hospitais da região (8,4 mil dos 33,6 mil leitos, ou 25% dos leitos da cidade) com urros de "Fora FHC e o FMI!" para conscientizar a muque a população de que apenas o PT no poder poderia evitar que o Brasil sucumbisse com força total ao capitalismo yankee.

Em seu nono ano no governo, uma "simples" ameaça de elevar o IOF de 0,38% para mais de 4% fez com que um novo petista (só se vira petista depois de velho a soldo)heloisa_helena.jpg divulgasse uma nota desmentindo a notícia com a contra-prova que sempre calou a boca do mundo: uma frase do ministro da Fazenda negando que um governo de esquerda estivesse pensando em aumentar impostos. Ora, os caudatários do estatismo contrário ao capital não deveriam lamentar que o Imposto não vai mesmo aumentar, pois quanto menos a vilâ "classe média" consumir nos EUA, mais faremos pela derrocada do Império? Afinal, para um esquerdista, a melhor ação que um governo pode promover não é aumentar impostos?

A coisa é suspeita: quando pega mal para seu próprio eleitorado (dos sindicalizados do ABC á classe média que "adotou" Lula, ao não vê-lo mais como um Lech Wałęsa sem sintaxe), a prova de que o PT é bom é que ele não tem mais o imperialismo americano como inimigo, e que vai deixar o brasileiro consumir no exterior à vontade - exatamente o mesmo aumento de consumo que proibia à classe média, antes de descobrir qual o melhor caminho para faturar votos.

Lech Wałęsa, diga-se, foi a síntese da esquerda até a década de 90, e deve ser um nome emblemático a ser lembrado para se compreender a atual política externa petista. Pego com a mão na botija em escândalos que mostram que sindicalistas no poder, aqueles que "lutam pelos trabalhadores", não são lá exatamente a melhor opção para estes mesmos trabalhadores LechWalesaTIME1980.jpg(sempre a confirmar o dito de Hayek sobre leis trabalhistas), foi espinafrado do posto de queridinho da esquerda mundial (id est, da esquerda que, até então, ainda não subira ao poder). Frei Betto, em mais de uma carta a Lula, onde o trata por amigo, lembra da decepção da esquerda mundial com a corrupção de Wałęsa - embora os mortos da mais próspera ditadura da América Latina sejam vítimas de um amigo que o mesmo Frei Betto defende até hoje - o Fidel Castro, que pode ter madado dólares para a campanha do PT em 2002 (como indicou o desastroso depoimento na CPI dos Bingos do economista vladimir Proleto, ex-assessor de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto envolvido nas denúncias), enquanto sua população vive com a menor desigualdade social da América Latina, com salários varianto de 12 a 20 dólares por mês (o mesmo que se obtém, no mínimo por mês, em 2 horas de trabalho na Califórnia).

E se o consumo indica adesão ao regime vigente, ao invés de um rigoroso combate a ele, por que cada acordo comercial firmado por Lula é saudado como mostra de que o mundo finalmente olha para o Brasil com bons olhos e a imprensa internacional o saúda (ao mesmo tempo em que chama o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para escrever nesta imprensa), quando a tal Alca assustava tanto os petistas?

Por fim, hoje não se comemora apenas o aniversário de 31 anos do PT: em 2003, num golpe fatal do Destino, a única força cósmica do Universo com senso de humor, o PT comemorou seus 24 anos de idade justamente quando veio à público a mais contundente denúncia sobre corrupção no PT, sarney_dilma_pac.jpgenvolvendo o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz - um dos nomes petistas que, a despeito da consabida ignorância da população, hoje mal conseguiria se eleger como vereador nos velhos currais eleitorais de onde saem os caciques de sempre... e, de Maluf e Roberto Jefferson a Jader Barbalho e Renan Calheiros, contando com seus antigos inimigos Collor e Sir Ney, todos eles hoje são aliados do PT. Todos defendem um Estado participativo, e todos pleiteiam quem cuida das verbas de qual estatal.

Em 31 anos de PT, uma frase resume seu período pré e pós-poder: o PT fez coisas boas e novas. O problema é que as coisas boas não são novas, e as coisas novas não são boas.

Aproveitando a ressurreição youtubesca do dia, pode-se muito bem afirmar que o PT acredita tanto no poder de distribuir renda das estatais quanto Costinha acreditava nos prêmios estatais que vendia - e, pelo michê de ambos (juntos), até eu acredito.

IOF: O bote cubano da dona Dilma  

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"O governo é como um bebê: um canal alimentar com um enorme apetite, numa ponta, e nenhum senso de responsabilidade na outra." - Ronald Reagan

O governo Dilma anunciou "estudar" aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) das compras no exterior com cartão de crédito de 0,38% para mais de 4%, confome se lê na Folha.

Segundo a própria reportagem (imparcial, e ao menos sua versão online, públicagratuitaedequalidade), "O objetivo é frear o consumo no exterior". A melhor forma encontrada de se fazer isso, para nossos analistas, é fazer com que o preço de tudo no exterior seja multiplicado praticamente por 10.

imposto-de-renda.jpgA conta é clara, conforme mostra a reportagem: "Se a alíquota for aprovada, o IOF sobre uma despesa internacional de R$ 2.000 em cartão passará dos atuais R$ 7,60 para R$ 80." Diz também: "A medida visa evitar o endividamento excessivo, que pode elevar a inadimplência no futuro."

O que isso significa é que, supostamente, para evitar que o brasileiro, pouco acostumado com a dinherama que só viu na vida a partir da era Lula, fique cheio de dívidas, o governo vai tungá-lo ele mesmo, pois quer cuidar bem dos seus cidadãos. Em outras palavras, a turminha do PT acha melhor IMPEDIR que uma compra seja feita no exterior para que o contribuinte não "se endivide" do que vê-lo com dívidas e uma nova TV em casa.

Tudo isso, então, é feito para o nosso bem, pois o governo é bonzinho. O governo não quer nos ver com dívidas. Já estou até esperando um pronunciamento de Cristovam Buarque, aquele, da PEC da Felicidade, explicando que a felicidade não significa apenas dinheiro - deve também ser parcela governamental. AFinal, quando se pensa em algo bom para nós, imediatamente se pensa em um deputado e seus suplentes ou um ministro.

Paradoxalmente, afirma também o governo que "Empresários também se queixam de que importados prejudicam produtos locais". Ora, ou se está protegendo o consumidor do consumo (esse mal a ser extirpado a canetadas), ou não. É paradoxal justificar uma medida anti-consumo sugerindo outro tipo de consumo - sobretudo se a desculpa é "endividamento".

dilma-rousseff.jpgEndividamento significa apenas que o consumidor, afinal, pagará pelo que consumir. Quando o governo tenta definir o que a população deve consumir ou não, invariavelmente favorece um pequeno grupo que sairá favorecido. E aí, cai-se por terra todas as benesses que, concorde-se com o liberalismo ou não, são suas vantagens - e o preço dos produtos estar atrelado à sua qualidade é apenas a primeira delas. Já não se tem mais a garantia de que se crie um produto com baixo custo e/ou com menores custos de distribuição (ao contrário do que a esquerda pensa, os "exploradores" querem que até os pobres consumam, para poder lucrar mais): basta apenas fazer parte do "empresariado" que defende o partido no poder e usar a desculpa paradoxal que for.

Manipulação significa controle. É tão simples quanto parece.

O governo petista, agora capitaneado (?) por Dilma, neste como em outros casos, aposta todas as suas fichas na ignorância da população, entendida "população" aqui não como populacho, mas aquela fatia da sociedade que abrange do populacho à elite - ou seja, ela inteira. Como sói, aposta certo.

Como já apontava Frédéric Bastiat (1801-1850), em seu ensaio O que se vê o que não se vê (disponível no obrigatório OrdemLivre), já apontava o problema de só analisar a economia pelo que se vê, sem se analisar o que não se vê.

Quando comenta os impostos, começa com a citação que, de tão cretina, não tem como não ser encarada com ironia: "O imposto é o melhor investimento que existe; é um orvalho que fecunda! Vejam quantas famílias vivem graças a ele! E observem os seus efeitos sobre a indústria: é infinita a sua ação, é a própria vida!"

Lembrando sempre: esquerda = impostos.

O que o governo quer dizer com isso é que, fora os impostos para bens públicos (como a construção de um metrô), os maus necessários, esse tipo de imposto direcionador de consumo indica que ele entende mais sobre consumo do que nós.

leao-imposto-de-renda.jpgConsidere-se a anarquia do mercado comendo solta. Para botar uma ordem no incontrolável, o governo obrigaria (imposto tem uma etimologia clara) que uma parte do que é gasto fosse gasto com ele. Para piorar, em um sistema de capitalismo dessenvolvimentista como o nosso, o capitalismozinho mais mequetrefe já inventado, onde se consegue enriquecer mais em uma repartição pública do que descobrindo a pólvora, é favorecida uma classe de empresários que se livram da livre-concorrência, a marca mais indelével do capitalismo, ficando-se apenas com o preço que se paga pelas suas vantagens... mas sem as vantagens.

Quando se tem um escândalo de corrupção, sabe-se que o triste não é só uma parcela do nosso dinheiro ter financiado o enriquecimento ilícito de alguém: é ainda dinheiro que poderia ter movido a economia, deixando que a população (pobres inclusos) consumissem e tivessem produtos em casa (o que melhora indiscutivelmente a qualidade de vida), apenas porque o governo julga saber melhor como fazer o governo ter essa qualidade de vida.

cristovam_buarque.jpgPor sinal, segundo o senador Cristovam Buarque, o que o governo tem de fazer é propiciar "a garantia de renda, moradia, empregos". Porque, afinal, se mantivermos a anarquia do mercado, apenas os ricos terão dinheiro. Ignore-se que todo aumento de renda na baixa população, por estímulo ou não, só funcione porque o governo parou de tentar influenciá-la em outras áreas: afinal, o que seria o Bolsa Família, se não houvessem indústrias com produtos baratos e de distribuição de baixo custo nas áreas onde ele é aplicado? De que serve o Bolsa Família, mesmo eleitoralmente, sem diminuição da inflação, que exige que o governo não torre a burra inteira?

Mas o próprio senador dá com a língua nos dentes quando, após ter sua proposta de PEC da Felicidade ridicularizada por Glenn Beck, o histriônico apresentador da Fox News, afirmou: "Para se ter felicidade, não basta apenas ter os direitos. Na visão capitalista estúpida da Fox, basta ter US$ 40 mil dólares por mês para ser feliz". Ou seja: Cristovam sabe que está tirando dinheiro da população. Mas é melhor dar seu dinheiro para o governo do que ter um novo produto em casa: o governo sabe te fazer feliz, corrupção e ineficiência à parte.

impostos.jpgPara Cristovam Buarque, Dilma Rousseff e nossa esquerda, um consumidor pagar por sua moradia em uma empresa especializada no assunto, que cuida de baratear custos justamente para cometer o pecado de lucrar mais do que outra, podendo vender mais, é um absurdo. O correto é dar o dinheiro para o governo, para ele saber quais empresas "nacionais" darem certo, por comissões de orçamento erigidas por deputados e seus assessores, colocando mais encargos nos produtos X (e, apenas por mera coincidência, fazendo com que esses encargos vão para os seus cofres) do que nos produtos Y e... bem, deu para acompanhar onde foi parar o dinheiro?

Não é sem razão que a comparação da qualidade de vida de um país com o seu grau de liberdade econômica, mesmo em países que eram paupérrimos até poucas décadas (como Cingapura ou Irlanda), nunca é comentada em nosso ensino médio. E nem por nossos doutores deputados, com uma mentalidade que também saiu pouco do ensino médio.

Enquanto se fica com o "capitalismo" com a maior carga tributária do mundo, e aumentando cada vez mais, com uma economia livre, ma non troppo, o Estado vai apertando a porca e tomando conta de cada setor da vida da sociedade.

Mas não o faz como uma ditadura, no modelo cubano, prendendo e arrebentando na prática, e não só na retórica eqüidia de um Figueiredo. O faz onde, como apontava Bastiat, não se vê pela sociedade.

O aumento do IOF é exatamente esse controle social invisível. Enquanto em Cuba se domina a vida a ponto de sua população usar geladeiras como botes para fugir da ilha, a dona Dilma do PT simplesmente aumenta o preço das passsagens.

Alguém explique para a esquerda e para o PT que imposto e liberdade não se bicam nada bem.

Os conservadores e o Big Brother  

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Nesse fim-de-semana foi condenada à eternidade a notícia de proporções mais liliputianas da história da Humanidade desde a invenção do miojo: a transexual Ariadna, a primeira participante limada do BBB 11, está pleiteando um retorno à mansão de experimentos do Bial em uma tal "casa de vidro" num shopping do Rio. Quando Ariadna fora subtraída do elenco do BBB, em minutos foi armada uma quizilha política que pôde ser considerada um "ataque à direita": a alegação de que a barraqueira fora eliminada por ser transexual, e o povo brasileiro (que já fora "denunciado" antes disso) ser "conservador".

ariadna-1.jpgImediatamente havia pasto e circunstância para a chorumela politicamente correta de sempre, resumida no faniquito "ah, que horror, esse país não vai pra frente porque ele é conservador, eu sempre disse." O queixume foi propalado por todos, visto ser conhecido o desconhecimento da intelligentsia brasileira sobre o pensamento de um único miserozinho conservador. Assim, novamente tivemos o culpado de sempre pelos males do país, da hiperlotação carcerária ao confinamento de energúmenos numa casa com câmeras: o tal conservadorismo, da tal classe média, que, como tal, são sempre os outros.

Para nossos moralistas de plantão, a faina não foi tão excruciante: bastou ficar no sofá, assistir o Big Brother reclamando de quem assiste, ter a vidinha de classe média criticando a classe média e praticar a vigilância de sofá caçoando o movimento Cansei e o #forasarney.

Conservador: do vinagre viestes, ao vinagre voltarás

O termo conservador é o mais perigoso de todo o espectro político. Mesmo os conservadores deveriam procurar uma alternativa menos escorregadia, se querem ter algum futuro.

direita.gifAo usar uma palavra para se definir, é de bom alvitre tratar sua audiência como possível mongolóide. Mais do que isso: songa e, mesmo por isso, mal-intencionada. A humanidade é composta, em sua imensa maioria, por pessoas com pensamento de ostra, que julgam que suas idéias valem pérolas. Se muito, a "pesquisa" que fazem sobre um termo que desconhecem vai até o item 2 de um dicionário de bolso.

"Conservador" passa uma idéia de um cara velho, tentando forçar o mundo a ser como era em 1937. Para piorar, nem mesmo os gênios do esoterismo político (que nomeiam suas macumbas por ciência política) pesquisaram no Google para descobrir o nome de algum conservador, de Burke a P. J. O'Rourke, antes de criticar as idéisa do conservadorismo. Sem o salutar hábito de pesquisa, o semovente auto-pensante imediatamente tomará o significado do signo pelo próprio signo, ou pelo que ele parece significar, inventando etimologias e julgando, com isso, conhecê-lo detalhadamente, ou ao menos tudo o que é necessário saber sobre uma idéia - o que constitui, enfim, o erro mais disseminado pelas Humanidades.

Consideram que o conservador é apenas o cara tacanho. O troglodita social. O ricaço umbiguista. O tiozão que parou no tempo. Imediatamente, concluem que, se são jovens e estudam, ainda mais com professores revolucionários que acreditam que um outro mundo é possível, o conservador é apenas um burro que nunca ouviu falar em Marx - ao contrário dele próprio, que com a mensalidade bancada pelos pais reacionários, pôde ter contato com os arcanos e herméticos conhecimentos só para iniciados.

Estas crianças precisam de uma aula de História.

O conservador, assim, passa a ser identificado, sem verificação na realidade tangível, com tudo aquilo que é ruim e ultrapassado. Com a esquerda marxista, de inspiração hegeliana, era fácil confundir a História com a própria esquerda, e dizer que o capitalismo não iria agüentar, ruindo sozinho diante da revolução, o único caminho possível. Esta esparrela foi propagandeada até o último minuto: Apenas cinco anos antes da queda do Muro de Berlim, universitários saudavam o livro Ascensão e Queda das Grandes Potências, de Paul Kennedy, que "demonstrava" como os EUA ruiriam e o terceiro mundo se uniria à força que definiria os novos rumos da humanidade: a União Soviética. Não é preciso exprobar muita argumentação para mostrar como a crença vale mais do que qualquer dado sensível da realidade em nossa Universidade.

ReaganBerlinWall.jpgCom o Muro caído, a esquerda não se deu por vencida - bem pelo contrário: passou imediatamente a se identificar, misteriosamente, com os defensores do mesmo povo que arrancou o Muro a unhadas, ao invés de se reconhecer como a própria força que o mantinha confinado - como se o PT, o PSOL e Eric Hobsbawn estivessem dizendo "Tear down these wall!" antes de 89. O aparato de marketing da esquerda, sempre infinitamente mais competente do que o da direita, criou a mais perigosa terminologia para justificar seu controle social: se não era mais identificada com o motor da História (que, afinal, 2 séculos depois de Marx continua com o capitalismo alive and kicking), o esquema era se identificar com o social. Tomando um naco de cada conceito, inventaram o termo progressista.

Está lançada a sorte no jogo de cartas marcadas mais angustiante das últimas 2 décadas. Com a típica profundidade de bueiro que analisa idéias apenas pelo nome com que elas são reunidas coletivamente a posteriori, através de certo achatamento para caber direitinho em conceitos estanques (como se metade do mundo concordasse perfeitamente em discordar da outra metade), fica fácil para o pensante de prontidão identificar o progressismo com o que gerou todos os progressos do mundo, e o conservador com... bem, com tudo o que atrapalhou.

Ninguém parou para analisar que muitas idéias conservadoras não são fruto dos pequenos-burgueses que não conhecem os ideólogos do progresso. Pelo contrário: os progressistas são campeões na ignorância seletiva de tudo o que não faça parte de sua ideologia. Pior: têm verdadeiro orgulho de não conhecerem nada além do que lhes condicionaram a aceitar como verdadeiro. É como se não conhecendo as críticas feitas, estivessem mais certos - o velho comportamento de avestruz enfiando a cabeça no buraco.

Simplesmente muitas teorias, e de diversos matizes que nem sempre se coadunam lá muito pacificamente, são arroladas sob a égide do conservadorismo. Posto ainda que o conservadorismo prega o individualismo, não é graças a uma varinha mágica que as tendências dentro do seu escopo (e, alargando mais ainda, daquilo que é chamado "a direita") sejam tão díspares. É fácil ver dois conservadores discordando, simplesmente por ser fácil que uma filosofia individualista, praticada por dois indivíduos diferentes, vá resultar em pensamentos diferentes, ao invés da prática coletivista de achatar todas as arestas para fazerem todos amarem uns aos outros por decreto.

burke.jpgEntre os conservadores incluem-se diversos ex-esquerdistas (curiosamente, é semi-impossível falar de um conservador que virou a casaca para o lado esquerdo), e dentro e próximos ao seu espectro, há ateus (Ayn Rand, Eric Voegelin, Martin Heidegger, Paulo Francis, Diogo Mainardi, S. E. Cupp), muçulmanos críticos ferrenhos dos EUA (René Guénon, Hossein Nasr), gente favorável á liberação irrestrita das drogas (Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Milton Friedman), pessoas contrárias à pena de morte (de Miguel Reale a Reinaldo Azevedo), favoráveis ao aborto e ao casamento gay (basta ver todo o movimento libertário)... e também há gente que defende o oposto disso.

Mas, para ser intelectual por essas bandas, basta conhecer uns 4 ou 5 filósofos da década de 60 by Sorbonne, e definir que o que vai contra a intenção deles está errado - afinal, todos que não pensam como Sartre ou Deleuze pensam igual, e devem ser combatidos. Para compreender os dois lados de um problema, basta ficar com um lado, e definir que o outro lado é o que a esquerda não é. Se a esquerda quer um mundo melhor, a direita... bom, não quer. Se a esquerda quer que os pobres enriqueçam, a direita... não quer. Se a esquerda quer justiça e o bem de todos, a direita... não quer.

Reinventar uma etimologia para a palavra "conservador" sempre é uma bengala para considerar a própria ignorância motivo de orgulho: se a esquerda quer um futuro melhor do que o presente, a direita quer "conservar" o mundo como está. E chegar a esta platificante conclusão é o máximo a que nossa esquerdaiada é capaz de fazer com seus neurônios.

Sarah-Palin.jpgIgnora-se as conseqüências mais inescapáveis de tal bufonaria - por exemplo, um "conservador" que, por ventura, morasse na União Soviética, não iria "conservar" nada do país em que calhou de nascer (e de Ayn Rand a Vladimir Solovyov é de se presumir que alguém, numa União Soviética, não gostasse lá muito do regime). Mas a ignorância, que tão bem se coaduna com a esquerda, vem bem a calhar nesse caso também: se algo dá errado no Irã, cujos revolucionários copiam o sistema econômico soviético, é porque estes são... conservadores, já que são tradicionalistas - embora, na realidade que a esquerda ama desconhecer, sejam "tradicionalistas" de uma tradição que nunca foi comum no islamismo (nem mesmo a paranóia com as vestimentas femininas, já que no séc. XIX os sheiks eram famosos por seus haréns), sendo verdadeiros progressistas reformadores de sua sociedade.

Assim, o palco está armado, e a pompa e as circunstâncias prontas para deixar o debate político cada vez mais raso e doidivanas, quando, quanto mais se lê sobre o assunto, mais se pode se estupidificar, com autores que parecem possuir orgulho de sua imaculada virgindade no trato com seus discordantes: parece ser ainda melhor não ler aquela racinha. O "conservador" deixa de ser um intelectual que não só leu Marx e a turminha da Sorbonne de 68, como ainda os refutou: se torna apenas um mito, numa tentativa palavrosa de tentar igualá-lo ao açougueiro malufista do seu bairro.

Mas a esquerda, como sói, não está errada mesmo assim?

Ainda que tomássemos esse sentido capenga de "conservador", não haveria também belos motivos para discordar dos esquerdistas, além do motivo óbvio de serem esquerdistas?

change.jpgNão é curioso que pecham de "conservador" tudo aquilo de que desgostam, mas não se identificam e fingem não gostar dos traços afeitos à manutenção das bases tradicionais da sociedade que defendem? Que tal reclamar dos "conservadores" não quando uma transexual é limada do Big Brother (se é que o foi por ser transexual), mas quando se leva um chifre do cônjuge? Nessa hora então o problema do Brasil deixa de ser "o conservadorismo" que não aceita os novos costumes?

Por que a grita contra os conservadores vai embora assim que se é assaltado, e todos os agentes da repressão protetores do capital e da sociedade de classes estanques lhe ajudam parcimoniosamente, arriscando a vida para tal?

Onde está a chorumela esquerdista contra a classe média assim que um pobre enriquece e passa a fazer parte, economicamente, justamente desta classe? Por que o discurso vai embora na hora de ir a um cineminha de R$5,00, divertimento este burguês demais para os pobres e ralé demais para os ricos?

E que tal fazer piquetes, greves e fechar avenidas contra os "conservadores" quando se vai comprar um livro numa livraria e se percebe que Foucault, Marx e Gramsci preenchem as estantes (bem mais do que Murray Rothbard ou Ortega y Gasset, diga-se), e se pode então preencher a cabeça com idéias de todo o Ocidente, do Oriente e com as denúncias contra quem quer que seja, justamente por que o tal "conservadorismo da sociedade" o permite e nunca parece fazer proselitismo de si próprio?

ariadna02.jpgFoi o "progressismo" que nos legou esse progresso? Ou foram aquelas forças que, justamente por preferirem que todos pudessem levar uma vida confortável, mas ao preço do trabalho (no único sistema econômico da História da humanidade em que se paga pelo que se trabalhou, abolindo o trabalho escravo), não aceitam dar todo o poder nas mãos de uns poucos que tentam, por vias políticas, reinventar o homem e o comportamento que cada um deve ter? Foram os progressistas da esquerda que lutaram por democracia contra os totalitarismos do séc. XX, as maiores máquinas de matança de toda a História (ganhando em primeiro turno de todas as outras anteriores), ou foram as duas maiores forças conservadoras do século, os EUA e o Império Britânico? Não querer manipular toda a sociedade é o grande e inominável crime que os conservadores cometem?

Antes de culpar os conservadores por uma inutilidade como uma Ariadna no Big Brother, saibam que os verdadeiros conservadores conservam a TV desligada.

Mais sobre a elite burguesa de Pirituba: um direito de resposta  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , , , , , , , , , , ,

Meu penúltimo texto, sobre a elite burguesa golpista... de Pirituba, foi postado no grupo do Yahoo! DCE da USP, onde se discute os rumos que esta agremiação terá (a saber, se será dominado pelo PSTU, pelo PCO ou pelo PSOL).

Tendo se tornado então alvo de uma saraivada de faniquitos, ataques de pelanca e gritinhos histéricos de esquerdistas prontos a falar em "burguesia" e "classe trabalhadora", com dorso da mão à cintura e pézinho a fustigar violentamente o assolhado, este escriba põe-se à ingloriosa tarefa de responder aos discursos de assembléia de meus novos queridos leitores.

Cito (não farei uso do sic nas citações para não poluir o texto, dada sua necessidade a cada 4 palavras):

isso é o que um direitista imbecil pensa sobre classe média...

classe média é um termo para designar a mentalidade dominante nesse tp de grupo social.

Não quer dizer que alguém qdo ganha 4800 passe a ter essa mentalidade. Isso é uma argumentação tacanha pra, no mais, tirar uma onda pros amigos de ideologia.

Muito menos que um dono de pizzaria da periferia seja um burguês imperialista branco. Como essas mulas não entendem, usam os conceitos superficialmente a seu gosto.

Deixa eu ver se eu entendi: uma azêmola aleatória diz que "classe média" não se faz por dinheiro, e sim por ideologia, e quer me ENSINAR isso - sendo que essa idéia foi a que justamente EU passei na porcaria do texto, mas parece que o pateta achou que ele que estava escrevendo conforme lia.

Depois, para confirmar a minha própria exposição, um outro pascácio se surpreende com os votos de Pirituba:

o texto é uma bosta, mas me despertou uma curiosidade. Alguem poderia me passar essas estatisticas que dizem que pirituba "votou em peso" no Serra?

Ora, não foi bem isso o que eu disse: que os INTELECTUAIS, filósofos, sociólogos, petistas e demais acéfalos da ala chulé da extrema-esquerda uspiana fazem dados e mais dados supondo uma lutinha show da Xuxa de "ricos x pobres", e se sentem tomando uma voadeira na orelha quando descobrem que a realidade é bem mais complexa do que eles pensam?!

Caso minha argumentação esteja errada, mostrem como o pensamento de Emir Sader, Marilena Chaui (vide o que ela diz lá no fim: http://bit.ly/fiDG1L), Paulo Arantes, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, Azenha et caterva se coadunam com o fato de até Sapopemba votar no Serra, e não só uma "elite branca burguesa golpista", nunca formalmente indigitada.

Poderia também perguntar como o pensamento de VOCÊS pode ser compatível com esta realidade (visto que falam em "classes", sem entender a distinção aristotélica entre classe, gênero e espécie), porém, quem, em sã envergadura colhônica, estaria interessado no que universitários de esquerda pensam?!

Não demora muito para aparecer outro energúmeno e tenta "refutar" os dados passados usando os extremos da população:

O argumento que ele usa, por si só, já é escroto. Mas o mais interessante ée como ele manipula os dados pra construir toda ladainha que ele chama de argumentação.. haha. è tão óbvio pelo mapa que as regiões mais ricas e centrais tiveram uma votação mais expressiva no Serra, enquanto as regiões mais periféricas e pobres tiveram ou uma votação equilibrada (o caso dE Pirituba que não votou "em peso" no serra) ou bem mais expressiva no PT (o caso das regiões realmente mais pobres da ZN - Brasilandia, Perus - e praticamente TODA a periferia da ZL e ZS)

Só pra efeito de informação, dei uma pesquisadinha rápida, dos 25 bairros com o menor IDH o Serra não ganhou em nenhum no 1º turno e em apenas 1 no segundo turno (Sapopemba, com a grande vantagem de 4%). Enquanto nos 50 bairros de IDH mais elevado (que foi até onde eu olhei) todos deram Serra.

Isso não quer dizer q o PT é ótimo pra periferia e é a grande solução, só demonstra que a periferia sabe o que é e a quem serve o projeto político do PSDB/DEM.

Como se eu tivesse citado UM MÍSERO DISTRITO ELEITORAL situado ou no lado extremo-rico, ou no lado extremo-pobre da cidade - e vem dizer que EU estou manipulando dados por isso!!

É exatamente o que o psiquiatra Paul Sérieux denominou "le délire d'interprétation", a doença mental daqueles que se recusam a deixar que a realidade determine seus pensamentos, preferindo que suas interpretações apriorísticas dos fatos determinem... os próprios fatos.

Só para se ter uma idéia, Santana teve uma votação maior em Serra (76%) do que HIGIENÓPOLIS (74%). Então os "bairros mais ricos" da cidade votam no Serra... por que são os bairros mais ricos da cidade?! Tudo o que um universitário comunista consegue interpretar da realidade é tentar atribuir intenções malévolas ao voto das pessoas pelas quais têm preconceitos, e atribuir intenções principescas ao voto dos ignorantes?

Coroa a salada russa de clichês da ala chumbreca da esquerda melcatrefe um outro molóide determinando a cereja vermelha:

E isso não quer dizer muita coisa, também. A classe trabalhadora vota em políticos burgueses, via de regra.

Em primeiro lugar, gostaria de saber se o motoboy em questão deixou de ser "classe trabalhadora" quando montou uma pizzaria, tendo trabalhado e poupado mais do que seus pares para levar a cabo tal empreendimento.

Depois, gostaria de saber onde ficavam os burgos do Brasil - porque é bastante estranho falar em "burguesia" em um país que não tinha feiras comerciais que enriqueceram a população mercantil em oposição aos feudos, podendo assim enriquecer. Até onde perceba, a própria "classe média" brasileira enriquece na base do emprego mais disputado do país: o concurso público, onde se pode ganhar o michê de um gênio do empreendedorismo fazendo o serviço inútil de um cagalhão.

Já que não foi apresentado NENHUM argumento contra o que eu apresentei (apenas uma tentativa de espancar números até que eles confessassem, mas a atribuição da "manipulação de dados" ao autor), fico por aqui, não contra-argumentando argumentos etéreos, mas simplesmente dando a caçoada final na turminha progressista, que considera progresso a Revolução de 1917. Eu ainda prefiro um iPod. E os piritubanos também.

Meus amplexos à "intelligentsia" esquerdista que nem pegando de galera consegue deixar de apanhar até sangrar.

Alô, violência do Rio de Janeiro... aquele abraço!  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , , , , , , , , , ,

O Tio Rei publicou em seu blog um post de leitura obrigatória sobre uma reportagem do Jornal Nacional comentando o decréscimo da violência no Rio. Leiam antes o seu post. É uma prova definitiva da platidade de pensamento daqueles que adoram simplificar a realidade, esmigalhando-a para caber em seus óculos planos, está, afinal, errada: a rede Globo não é tucana, não defende ideais conservadores, não é receptáculo do que a direita defende e outras papagaiadas.

Leiam antes o Reinaldo mostrando o quão absurdamente se torce a realidade para dizer que quem combate a violência é uma tal "sociedade", afinal, é consabido que polícia não serve para nada e todos os policiais são corruptos e autoritários. Pinço antes uma frase sua:

"O Rio tem quase um terço dos presos [de São Paulo] e quase o triplo de homicídios. Alguém acha curioso?"

Comento o texto.

Existe uma perniciosa lógica que explica a ilógica aí: é consabido que a USP é aboletada por maconheiros em seus cursos de Humanas, sempre mais preocupados com "o social" do que com "o real", e que os neurônios responsáveis pela lógica filosófica e pelo cálculo matemático são os segundos geralmente destruídos pelos efeitos do THC (os primeiros são os responsáveis pelo bom gosto musical).

Ora, o Reinaldo aponta dados matemáticos. Tenta demonstrar por a+b que 10,47 é menor do que 29,9. Nem ousou fazer o sinalzinho < já que sabe que ele será interpretado como um erro de digitação. Besteira. Não adianta. Quando foi a última vez em que um sociólogo foi campeão nas Olimpíadas de Estatística? Como supor que os "analistas da realidade" tenham muito contato com ela, se conseguem entrar na faculdade chutando tudo A no vestibular de Matemática?

Mas, sem dados, sempre apresentam alguma justificativa: a diminuição foi graças à SOCIEDADE CIVIL. Ora, ainda não fui apresentado a essa sociedade. Será aquela arcana organização secreta que se mancomuna com o governo em conclaves para definir políticas para o povão - as reuniões com "membros da sociedade civil"? Será que já foi investigada por Dan Brown em alguma de suas obras? Apenas sei que essa sociedade civil não me representa: a mim existem pessoas que não são filiadas a partidos, não membros de uma "sociedade", confundida com "associação" por nossos intelectuais (erro apontado por Ortega y Gasset como a própria síntese política de nossos tempos, em seu seminal A Rebelião das Massas).

Análises genéricas produzem resultados genéricos: ora, a solução, então, são "políticas locais". Quais políticas? Não vejo outra que não seja prender mais em bairros mais violentos. Mas eles já não tinham apontado "aumento do emprego" e outros dados que o Nordeste prova diminuírem em zero a violência (como se matadores e traficantes não tivessem já o seu ganha-pão pagando muito bem, obrigado)? Talvez o que falte seja, sei lá, "consciência de classe". Talvez devamos colocar a mão no peito e nos culparmos por vivermos num regime capitalista (só não valem chibatadas, pois aí a benevolência já vira Opus Dei). Talvez o que falte mesmo para diminuir a violência a zero seja abraçarmos os bandidos. Além de emprego, tudo se resolve corrigindo a falta do abraço dos pais na infância.

Palavras de José Ortega y Gasset:

Convivência e sociedade são termos equivalentes. Sociedade é o que se produz automaticamente pelo simples fato da convivência.

Um dos mais graves erros do pensamento "moderno", cujas salpicaduras ainda padecemos, tem sido confundir a sociedade com a associação, que é, aproximadamente, o contrário daquela. Uma sociedade não se constitui do acordo das vontades. Ao contrário, todo acordo de vontades pressupõe a existência de uma sociedade, de pessoas que convivem, e o acordo não pode consistir senão em precisar uma ou outra forma dessa convivência, dessa sociedade preexistente.

Veja também:

- Sobre fascismos e fascismozinhos: uma solução liberal para a violência

- Sociedade Civil? Não me representa.