Descobri o que é "socialismo democrático"!  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , , , , ,

Nunca houve contradição mais estapafúrdia na esquerda brasileira do que o PSOL. Em primeiro lugar, porque seus apaniguados pronunciam seu nome como se fosse uma palavra, e não uma sigla: pê-sol é pronunciada com o mesmo p mudo de pneu. É uma dessas palavras trote de quando se aprende uma língua estrangeira, que é difícil de se pronunciar sem cuspir. Imagine-se se tentassem pronunciar por essa lógica PSDB, PTB, PPS (que iria parecer uma imitação dos tiros de armas laser de Star Wars), PSTU, PCO e PL. Só o PP se salva. Mas o pior mesmo fica pro PT: será o partido do famoso pití.


Depois, essa contradição entre palavra e signo, fonética e semãntica, é até grafada em todos os jornais que falam do partido (2): nunca se lê PSOL, só Psol. Como se fosse mesmo uma palavra. Novamente, visualizemos a democratização da norma: Psdb, Ptb, Pps, Pstu, Pco, Pl, Pp e Pt. Doeu aos olhos de alguém mais?


Mas nada é pior do que a completa desconexão entre os dois termos do partido: Partido Socialismo e Liberdade. Assim, juntos. Assim, com a conjunção aditiva e. Assim, um tapa na cara da sociedade.


A discussão entre esquerda e direita no mundo se deu, justamente, como uma discussão entre liberdade ou igualdade. O que um dirigente partidário tem na cabeça para criar um partido chamado Psol, que ainda é uma palavra com p mudo? O que, afinal, Heloísa Helena, Plínio de Arruda Sampaio, Babá et caterva têm na cabeça?!


socialism-gun-to-head.jpgVoltando a assuntos mais higiênicos, o dado mais risível do comunismo pelo mundo foi essa mania de exaltar o partido como uma espécie de lugar para onde as pessoas boas vão depois que morrem. A coisa é suspeita. Se estão querendo alargar o poder de fogo político da patuléia, sendo seus únicos reais defensores, é estranho que obtenham tão poucos votos, sobretudo das classes mais bem instruídas.


E, se esse partido quer subverter o próprio sistema em jogo, se livrando, sabe-se lá por quais métodos (ou, a bem da verdade, saiba-se bem quais são esses métodos) a oposição, então ele não é um partido. Uma parte de um todo que o abarca, e abarca outras coisas. É, simplesmente, um bando de adolescentes crescidos, barbudos e velhos que não sabem brincar.


socialism earth.jpgMas desde que a Cortina de Ferro entrou em colapso, alguns intelectuais, aquela raça que quer sempre mostrar o que é ser bonzinho para o resto dos circunstantes, resolveram, depois de uma pilha de 160 milhões de cadáveres, ver algo que justifficasse não ser comunista. Inventaram de enxergar uma tal "democracia" no Ocidente sujo, malvado, capitalista e cara de melão. A reação foi imediata: inventaram de que o socialismo estava se reinventando, e a solução serial um estrovengalho denominado socialismo democrático. É um oxíimoro tão gritante quanto o fascismo democrático, mas é a crença da esquerda nos últimos 20, 30 anos.


Mas, como o socialismo nada tem a ver com a liberdade democrática, e seus partidos sequer são mesmo partidos (o Partido Bolchevique esmigalhou até seus irmãos mais velhos mencheviques na primeira oportunidade, e eleições em Cuba ou Coréia do Norte são mais ou menos como aquelas churrascadas universitárias sem carne), como seus acólitos puderam engabelar tantos tontos por décadas a fio sem bombar no Vestibular com essa patrsnha de "socialismo democrático"?


Ora, em primeiro porque os mesmos guardiães do discernimento, aqueles que deveriam notar contradições flagrantes como essa, são os primeiros a ajoelhar no milho diante de idéias tão estapafúrdias, e defendê-las com o próprio cocoruto: os professores universitários.


Mas, forçando um pouco a amizade, podemos supor, assim, que o socialismo democrático exista. Que, através da própria democracia, todo um contingente de eleitores, de mega-especuladores a narcotraficantes, possa votar democraticamente pelo fim da democracia. Hitler, afinal, fora eleito - fraudulentamente ou não, mas até aí, fraude há em cada estado desse país.


Mas não era a isso que se referiam os "teóricos" do socialismo democrático. E foi só com um curioso acidente nesse começo de ano que descobri a arcana verdade.


Morte à burguesia!


Na segunda hora de 2011, um carro bateu na mureta do prédio de um amigo meu, estraçalhando muro, grade, pisca-pisca e derivados, deixando o carro inteiramente desmilingüido e um rombo enorme que impedia completamente alguma tentativa de segurança no prédio, com um buraco que deixava a rua a poucos metros do elevador.


Despiciendo declarar que o motorista: 1) tinha menos de 25 anos, e isso em idade física; 2) estava drogado, inobstante a falta de um bafômetro; 3) não tinha carteira de dirigista; 4) estava fugindo de outra batida; 5) destruiu carro, muro e grade, mas saiu sem nenhum arrranhão; e, last but not least, 6) era um filhinho-de-papai com o carrão do pater familias, que fez a polícia não aparecer e pagou tudo para o meninão.


Quando vejo esse tipo de delinqüente, imediatamente penso em que punição ele merece, mesmo custando uns bons tostões do meu bolso - para a segurança, aceito pagar impostos como se não houvesse amanhã. E imediatamente pensei em meus amiguinhos progressistas, de esquerda, defensores dos frascos e comprimidos: aquela galera que, sempre que a polícia prende um delinqüente, chama o Estado de "fascista".


Porém (sempre tem um porém), lembrei de cara do último fator, o número 6, antes dos outros cinco. O sujeito era um filhinho-de-papai. Não preciso sair perguntando pros autores da "blogosfera progressista", nem para os juristas do coitadismo penal abolicionista, nem para os juristas da portadecadeiosfera: alguém duvida de que algum deles não quer, até mais do que eu, uma punição exemplar, rigorosa e law & order para nosso amiguinho destroçador de muros?


Claro, se o carro não fosse do papai, mas fosse roubado; se ele fosse pobre e não tivesse como seu papai pagar o rombo (literalmente) feito; se ele estivesse com a cara mais cheia de maconha e cola do que de whisky que custa 7 vezes o meu último livro do Schopenhauer, tudo seria diferente: o delinqüente em questão se transubstanciaria por mágica em "vítima da sociedade capitalista", em um jovem que só faz porcaria fora do pinico porque não teve oportunidades, em um incapaz e inofensivo bom selvagem que seria um anjo se tivesse dinheiro.


Ora, é consabido que o socialismo tem como grande inimigo a "burguesia", mesmo aquela daqueles países sem burgos, em que as pessoas são mais ricas se passaram em um concurso público com alto michê há anos, ao invés de fazer fortunas enfrentando intempéries financeiras em feiras mercantis. Para a burguesia, dependendo do grau do socialismo, do quanto ele avançou, nem a cadeia é suficiente. Quanto mais socialista, mais paulada vão ficando as penas: de extradição e campos de concentração a morte e tortura.


socialism-rednecks.jpgMas culpar ex nihil as pessoas que ganham registradamente uma determinada faixa salarial (no jargão comuna, uma "classe social") é perigoso. Não porque alguns deles já tenha percebido que um trabalhador pode vir a ganhar o mesmo não-registradamente. Nem porque esqueceram-se dos trabalhadores free-lance, dos vendedores e demais categorias de renda variável no mês, que podem ser "burgueses" num mês e ganhar o mesmo que um mendigo no próximo. Muito menos porque tenha percebido que não há muita diferença entre quem ganha 300 tostões, ou o piso de uma "classe", e quem ganha 299, ou o "teto" de outra classe.


É simplesmente porque é difícil ganhar eleições com um discurso tão hidrófobo e assumidamente genocida. É melhor dizer que vão tolerar o direito à vida, à integridade física e outras filigranas dessa classe, mas governar de molde a tratá-la como trânsfuga inimiga até a última ponta. É preciso dar uma aparência de democracia ao jogo, certo? Os intelectuais podem não gostar.


Assim, dá-se privilégios os mais diversificados a uma "classe", ou a quem ganha de um contrato de trabalho (e ignorando-se outros recebimentos) o que está dentro de uma determinada faixa salarial, ao mesmo tempo em que se revogam direitos das outras "classes", seja dando mais direitos à primeira ou simplesmente atacando frontalmente a segunda.


Socialism-great-idea.jpgComo a Justiça só trata todos os cidadãos como iguais enquanto um advogado não vê a briga, pode-se logo concluir que um cidadão da bourgeoisie, como nosso amigo destrói-paredes, será tratado na porradaria, na law & order, na reeducação a látego. Mas, enfim, é preciso cometer um crime para finalmente conseguir colocar um burguês nas grilhetas.


E eis a mágica histórica que revolucionou a esquerda no séc. XX ao criar o socialismo democrático! Se na U.R.S.S., China, Tchecoeslováquia, Coréia do Norte, Cuba et tutti quanti podia-se abertamente deportar, matar e escravizar aqueles taxados de burgueses, o socialismo democrático segue os ritos da democracia: a classe de burocratas e sindicalistas que enxameia e aparelha o governo continua podendo tudo, até mesmo assassinato (vide os casos Celso Daniel e Cesare Battisti, com seu companheiro de PSOL Achille Lollo, e o tanto que os juristas de porta de cadeia reclamam de cada assassino e traficante "pobre" preso). Já o "burguês" será perseguido como sempre... mas esperar-se-á que cometa um crime, afinal, antes de mofar no xilindró.

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4 pessoas leram e discordaram

Eu nunca vi tanta asneira em um só lugar, o cara não faz ideia do que é socialismo, confunde burguesia com riqueza e provavelmente nunca estudou a esquerda antes de fazer essa crítica burra e preconceituosa. Vai estudar Rosa Luxemburgo antes de ficar vomitando idiotices por aí, não foi o PSOL que inventou esse conceito não, isso já tem mais de cem anos, se vc tivesse feito o dever de casa saberia.

17 de maio de 2012 23:03

Érico, concordo com você. Só que ao contrário.
Se discorda tanto, brinde-nos com sua sabedoria. O que é o socialismo, burguesia e riqueza?
Estamos curiosos para que refute os argumentos do texto.

7 de novembro de 2012 16:27

Eu sempre fico muito curioso com os cupaiêros que fazem críticas desse tipo. Geralmente a crítica vem com uma apresentação da falha no argumento, seguida de uma refutação dos pontos ~errados~ a refutar.

Os cupaiêros conseguiram implementar um sistema de crítica sui generis, onde basta que um intelectual engajado diga que há algo de errado e inaceitável no texto para que seu discurso se envolva em um manto de autoridade vistoso o suficiente para que ele possa até mesmo receitar leituras para pobres ignaros como Flavio Morgenstern, que, admitindo a hipótese de que leram mais livros que o intelectual em questão, tem suas opiniões invalidadas porque são "burras".

Flavio, caso você vá estudar Rosa Luxemburgo para aprender o que é esquerda de verdade, por favor, me chame pro grupo de estudo.

8 de janeiro de 2013 05:57

Eu tenho pena desse senhor Flávio! E eu pensando que reacionário pequeno burguês. Metido a besta intelectual já não existisse mais!
Nada nada filhinho de classe média aborrecida com a politica (pois não entende nada!!) ou algum fudido de classe baixa que assume os odores e dores da média categoria social que se pensa intelectual e propalador das dores da politica carcomida! Tenho pena de você FLÁVIO! Mas continue assim. Quem sabe irá encontrar alguns adeptos e vai fazer caça aos comunistas e políticos de que tanto odeia. Ou talvez ser um caçador de recompensa que mataria a própria mãe em troca de trocados.Pois, sua sina de assassino e caçador freelance já deve ter sido escrito nas prosas suave e profunda dos grandes clássicos da Humanidade. Eu riu de você! Avante!

20 de janeiro de 2013 14:53

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