Luis Nassif e as feminazis: quanto custa uma palavra?  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , ,

Luis Nassif era colunista de Economia da Folha. Seu feito mais notável foi escrever um livro inócuo chamado Cabeças de Planilha, que nem seus hoje assíduos leitores conhecem, em que denuncia o processo de privatização durante o reinado FHC.

luis nassif.jpgNassif, até 2006, era como Frank Zappa ou Robert Fripp: estes são músicos que só músicos conhecem. Nassif era um jornalista que só jornalistas conheciam. Com a diferença de que os primeiros são geniais demais para o populacho compreender. Nas palavras de Hamlet, são caviar to the general - como "pérolas aos porcos", são algo precioso que seria dado a quem consegue apreciar. Nassif só era desconhecido por ser micharia conhecido apenas pela própria pequenez.

A coisa começou a feder para o lado de Nassif quando este publicou uma mensagem que foi repassada a vários jornalistas por Luiz Roberto Demarco, que comprovadamente recebia dinheiro da Telecom Itália para fazer lobby contra Daniel Dantas. Nassif não citou a fonte para não se queimar, mas não cuidou sequer de corrigir os erros de Damaceno: ambos chamam o presidente da Portugal Telecom no Brasil, Shakhaf Wine, de Shakaf Wine.

Nassif queria derrubar Dantas. Seu site de notícias era patrocinado pelo BNDES, o maior acionista da Telemar, concorrente de Dantas. Tudo isso já fora demonstrado ipse dixit por Diogo Mainardi em 2005. Ele conclui, em Chega de ética, Nassif: "Não surpreende que um paladino da ética como Nassif tenha defendido a compra, por parte da Telemar, da produtora de fundo de quintal do filho de Lula, Fábio Luís. Outro importante patrocinador do site de Nassif é a Odebrecht, cujo fundador mereceu um panegírico apaixonado numa coluna recente."

mainardi.jpgAcusam Diogo Mainardi de histrionismo. Diogo pode ser o que for, mas sua coluna não devia R$4 milhões ao BNDES, por um arrombo de falta de destreza, abusando-se do eufemismo, com o dinheiro público. De umas décadas para cá, tornou-se mais importante defender sua crença do que cotejá-la com a realidade. Mesmo que esta realidade custe milhões de reais.

Enquanto Nassif ganhava seu dinheiro do BNDES e lambia as botas de seus financiadores por isso, o iG pagava a Franklin Martins um michê entre 40 000 e 60.000 reais. Já o programa de Paulo Henrique Amorim recebia o montante de 80.000 reais. O iG pertence aos fundos de pensão do governo. É lulista até a medula. Antes disso, sempre esteve apontado de alguma forma com as maracutaias dos aumentos nos custos da telefonia. Alguém se lembra de que ele se pretendeu, em sua origem, ser um provedor de "internet grátis"?

O BNDES financiava a Telecom Itália, impedindo a sua falência desastrosa, e a Telecom Itália patrocinava o blog de Nassif. vale lembrar novamente o resumo que Diogo Mainardi fez do caso:

(...) Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.

Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: "Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo". Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. ( Nassif, o banana )

A brincadeira rendeu a Nassif ser pénabundeado da Folha, assim que Otavio Frias Filho soube do lobby. Mas a tal Dinheiro Vivo estava precisando do que diz o seu próprio nome, devendo um rombo de 4 milhões de reais ao banco (convenha-se: falir com negócio financiado pelo BNDES é mesmo obra de gênio). Mais do Mainardi:

No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. (op. cit.)

veja nassif.pngOu seja, descontando o que deveria ser devolvido nos devidos emolumentos por atrasos, Nassif custou pelo menos R$1.300.000,00 do nosso dinheiro. Quantos Bolsas-Família vale um Luis Nassif?

Mas não pára por aí. a estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), vinculada ao Palácio do Planalto e responsável pela TV Brasil, fechou contrato anual, fechado sem licitação, de R$ 1,28 milhão com Luis Nassif. Sua empresa, Dinheiro Vivo Agência de Informações, produz um debate semanal, de uma hora, e cinco filmetes semanais de três minutos (via Mídia Independente).

Contas feitas e noves fora, descontando um Franklin Martins e um Paulo Henrique Amorim, até o momento Nassif custou quanto do governo? Por que devo pagar ao Nassif mesmo sem ler suas aleivosias? Por que, se ele é pago com o meu dinheiro, não posso pénabundeá-lo como o fez Otávio Frias Filho?

O faniquito feminazi

Luis Nassif tem tantas ganas por dinheiro vivo que não teve escrúpulos em ter uma empresa com esse nome. É o tipo de coisa que se um Reinaldo Azevedo fizesse, estaria sendo alvo de chacota e teria um apelido pronto entre os blogueiros até hoje. Mas Nassif pede dinheiro do governo. Dinheiro vivo. E deixa uma dívida de R$4 milhões com o BNDES.

nassif caricatura.jpgSei que Nassif, no Twitter, costuma procurar por seu próprio nome para saber o que falam a seu respeito, não se contentando com as mentions a @luisnassif. Fico na dúvida se também procura por Nassifra, como conseqüentemente ficou apelidado por isso.

Mas isso nunca foi problema para os acólitos do seu público fiel. Eu não sei o que a "blogosfera progressista" achava da Folha antes de Nassif sair de lá, mas hoje criticam o jornal, por ser da "grande mídia". Como criticam a Globo, mas acolhem de braços abertos Paulo Henrique Amorim. Não vejo coerência na postura, a não ser interpretá-la como "o que é válido para o PT, é defensável; os argumentos inventamos na pressa depois".

Luis Nassif só se tornou um estorvo para seus leitores e blogueiros aduladores (para quem tocou um chorinho num encontro de "blogueiros progressistas" com dinheiro público, esse ano) por ter reproduzido como texto um comentário de um leitor que usa o termo feminazi.

A patuléia não gostou. Como os "progressistas" incluem grupos exigindo ações afirmativas via governamental, como as feministas, imediatamente estas se viram traídas por seu líder e sumo ex-representante na "mídia burguesa". De repente, parece ter havido motivo para não se considerar Nassif um misto de "Machado de Assis com Einstein", como Paulo Henrique Amorim classificou o grupelho.

O que importa um rombo de dinheiro que dificilmente seus lacaios verão em vida provocado por Nassif? O que importa é que ele falava bem do PT. E, de repente, postou um texto com o termo feminazi, que é "mentirosa, manipuladora e ofensiva", segundo Cintia Semiramis, líder das inquietas.

feminazi.jpgPara esta camorra, não é possível discordar de seus faniquitos e ataques de pelanca nem mesmo em termos estéticos. Ora, é consabido entre qualquer cidadão devidamente registrado em cartório, batizado e vacinado e capaz de diferenciar uma Jeanna Fine de uma Judith Butler do caráter eminentemente barango das representantes do movimento feminista, que possuem uma Jane Fonda para cada geração de Beauvoirs. Nem mesmo reclamar da forma grotesca como reagem a piadinhas é permitido para a blogosfera feminazi, que alguma coisa fez para merecer esse epíteto - no entanto, ainda fica claro que fazer encontros misteriosos e tratar dinheiro público com promiscuidade.

Creio ser despiciendo explicar ao meu ocasional leitor que eu possa estar a defender Luis Nassif. Apenas salta a estes olhos que a terra há de comer como podem ser derrubadas tantas árvores virtuais para se escrever textos criticando o comportamento de Nassif ao usar tal termo, como se fosse a sua única falha de caráter, já com anos de praça.

Após mandarem textos para o próprio exigindo um pedido formal de desculpas com as feministas do Tutto nello Stato e serem rechaçadas com a explicação de que ele teria publicado o texto "Para provocar mulher braba", quase como a oferecer o nariz ao punho do deselegante autor, deram mote à sua própria teoria, com novos ataques histéricos, hashtags e uma campanha de indignação com a descoberta do novo Eldorado: que até o pessoal de esquerda fica de saco cheio desse discurso de feminista no repeat há mais tempos do que me conheço por um espermatozóide de sucesso.

Mas se é com este critério que aquilatam valor a Luis Nassif, a Folha, as denúncias que levaram ao seu pénabundeamento de lá que não foram publicadas apenas por um bastião liberal para as massas como Diogo Mainardi, pergunto-me se estaríamos autorizados a agir da mesma forma.

Felizmente para as nossas feminazis de sempre, elas podem ficar tranqüilas: nem que perdessemos a vergonha na cara de se aliar a qualquer matusquela para tirar o PT do poder iria acobertar qualquer denúncia de corrupção e laxismo com o erário apenas porque é público que Nassif fez pior.

Do contrário, já estaríamos com discurso de Capitão Nascimento a cada denúncia de corrupção na "oposição" abaixo de R$1,3 milhão, descontando juros e mora: "É só isso? Põe na conta do Nassif."

This entry was posted on terça-feira, dezembro 14, 2010 at 11:33 and is filed under , , , , , . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

1 pessoas leram e discordaram

A notícia de hoje é que Luis Nassif foi contratado pelo Governo Federal e vai ganhar 660 mil por ano.
Usei a imagem que aparece no seu artigo, no meu blog, e citei este artigo na fonte.

16 de abril de 2011 13:42

Postar um comentário