Por que a direita sempre perde no final  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , , ,

Há uma postagem no blog do Mr. X comentando a famosa "inversão de valores" de que a direita tanto reclama nos auto-aclamados "progressistas". Essa inversão nada tem a ver com a Umwertung aller Werte nietzscheana: trata-se apenas do típico vezo esquerdista de se definir como correta e escrever livros e teses explicando aos seus pupilos que, por mais que olhando para a realidade possam chegar a outras conclusões, eles continuam certos.

Mas nada do que diz o Mr. X tem a ver com a ignorância da esquerda sobre o outro lado: trata-se apenas de reclamar de gays.

Claro que um pensador liberal tem também o dever de levar em consideração que pode-se argumentar qualquer coisa, desde que se agüente o tranco da sua arma. Como aqui o tranco vai atingir não apenas Mr. X, deve-se cuidar para que esse tipo de pensamento raso não se repita. Por isso comentei o texto.

Se há algo que destrói uma tentativa de melhorar o mundo, seja ela qual for, é quando a idéia chega num radicalismo tão grotesco que mesmo toda a parte boa dela tem de ser jogada na famosa lata de lixo da História de Trotsky, simplesmente para não recairmos numa idiotia pior ainda.

O que ferra a direita é justamente esse tipo de texto. Veja que nunca conseguem refutar dados do capitalismo, nunca conseguem negar que até os miseráveis hoje têm um nível de vida melhor do que sem o capitalismo. Mas refutar esse conservadorismo piegas e, jogando o bebê junto com a água suja, se livrar do lado bom do conservadorismo num só golpe, é o que mantém a esquerda no poder há tanto tempo.

Envida-se um esforço maçante para tentar tratar o ódio ao homossexualismo como algo "lógico", e não como mero fanatismo religioso. Então, chega-se ao cúmulo de usar um "argumento" chumbreca como esse:

"O homossexualismo, por exemplo, pode até ser divertido para seus praticantes (?), mas tem o inconveniente de não propagar a espécie e causar potencialmente maiores problemas de saúde."

Ora, o primeiro "inconveniente" é ÓTIMO. Não é só porque alguns regimes totalitários se preocuparam com o controle populacional que ele é ruim. Eles também bebiam água, e beber água continua sendo bom. Inclusive em termos liberais (curioso como é moda da direita agora falar mal de Malthus sem tê-lo lido).

Depois, fala-se como se todo sexo heterossexual fosse propagar a espécie. Não tenho Deus a quem dar graças por isso ser falso! Fico imaginando se os faniquitos e ataques de pelanca de cada cristão fossem à guisa de "oh, meu deus! gays estão transando! Não darão continuidade à espécie!!"

É preciso maior rigor demonstrativo para provar que isso é hipocrisia?

O segundo "inconveniente" é verdade, mas não por causa do homossexualismo em si, e sim por comportamento promíscuo. Por razões higiênicas que não valem a pena ser explicadas, gays sofrem mais se não usarem camisinha - e há o fator cultural, da onda oba-oba em que os gays se metem para poder encontrar parceiros; onda esta que pode ter uma rotatividade muito maior. Novamente, isso nada tem a ver com homossexualismo: urge ignorar a rotatividade de pitboys de balada e a pequenez cultural das patricinhas que lhes servem de camelo no deserto - mas, ainda mais, a sua falta de "perpetuação da espécie".

É uma pena que esse tipo de argumento seja usado: sempre que um "progressista" quer atacar os reacionários, ao invés de lidar com números, com os quais é muito mais difícil mentir do que com palavras, ele sempre tum texto de gosto discutível como esse para apontar a superioridade das suas crenças tão fanáticas quanto - e com um grau de estupidez não muito mais elevado, há-de se notar.

Caros congressistas (com o perdão do trocadilho)  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , , , , , , ,

"Nossos corruptos são tão incompetentes que só conseguem roubar do governo. Se fossem ladrões na iniciativa privada morreriam de fome." - Millôr Fernandes


Carta aberta aos diversos congressistas que votaram por um aumento próprio de salário de 61,8%, pois estavam em vias de extinção pela fome:


Caros congressistas (com o perdão do trocadilho)


A população brasileira e mesmo os poucos gatos pingados do resto do mundo que ainda se lembram da existência desse país, quiçá alumiados por Sylvester Stallone e Robin Williams, andam aos frangalhos após a notícia do aumento dos Vossos honorários. Não venho por meio dessa ser mais um numa míriade de histéricos brasileiros que se indignam com qualquer filigrana menor, como um impacto de R$ 1,8 bilhão no orçamento das cidades, pois sei de quão ilibadas são Vossas reputações, e de quão cansativo é Vosso labutar anual - são mesmo poucos os brasileiros que suportariam tão avultoso montante de horas trabalhadas por solstício, sobretudo tendo de agüentar os insuportáveis e sempiternos discursos de Eduardo Suplicy, que fazem qualquer minuto ter o peso de uma eviternidade.


Venho portanto cumprir minha cidadania (talvez por nunca ter ganho uma medalha de escoteiro) e dar dicas de como Vossas Excelências podem economizar essa dinherama mingüada, pois tudo nesse país vai pro ralo dos impostos pagando a máquina burocrática, inclusive Vossos próprios salários, o que faz com que paradoxalmente paguem para receberem. Algumas laboriosas dicas econômicas que podem ser úteis para que não precisem de um novo aumento, digamos, de 150% nos próximos 3 meses.


Primus, é consabido que boa parte dos gastos de um parlamentar é escoado nas escarificantes mensalidades das escolas dos filhos, pois nenhum dos senhores, de inquestionável inteligência, é idiota a ponto de colocar o filho numa escola pública, não obstante o tanto que arrogam terem feito pela Educação nesse país. Dessarte, uma boa medida seria criar batalhões entre os próprios parlamentares para, nas raríssimas horas vagas do Congresso, darem aulas para seus filhos ali mesmo - aliás, as cadeiras são mais confortáveis até que as do Rio Branco. Quem não gostaria de ter seu filho tendo aulas com os próprios governantes, os entes mais preparados para tal fardo?


Poder-se-ia, inclusive, criar um programa de educação à distância patrocinado com o pré-sal para, numa cajadada única, também elevar os níveis de educação do país, além de preparar nossos jovens para a profissão mais rentável e democrática abarcada pela Constituição: a política, que diminui a desigualdade social entre latifundiários e sindicalistas, doutores e analfabetos.


pizza.jpgQuem não gostaria de ver seu filho tendo aulas de inglês com Aldo Rebelo, de economia com Delfim Neto, talvez de Administração de lojas de R$1,99 com a própria presidenta (sic) da República? Há espaço para cursos livres de tecnologia da Informação com Azeredo, composição musical com Tiririca ou até artes performáticas com a ex-deputada Ângela Guadagni. Poderíamos até mesmo reestabelecer o Trivium da educação medieval que deu origem às Universidades. Que tal algumas aulas de gramática com Tiririca, oratória com Eduardo Suplicy, com o bônus de aulas de sexologia com sua (dele) ex-mulher? Quem sabe um tanto de dialética com a bancada do PSOL unida à ala trotskysta do PT, ou, quiçá, de ética com Paulo Maluf, Roberto Jefferson, José Sarney e Renan Calheiros?


Secundus, é um direito notório, outorgado pela Constituição, que um parlamentar deve ganhar o suficiente para viver a vida apenas legislando, sem preocupações extra-curriculares - além de não tem nenhum dever de legislar. Possuindo tal democrático direito conquistado a duras lutas, manobras políticas, transmutação elitoreira e demais tramóias perfeitamente legais, por que não confraternizar os minguantes momentos em que os ocupadíssimos congressistas estão de férias entre um projeto de lei e outro e churrasqueiro.jpgorganizar grandes festins? É de se duvidar que nenhum dentre vós sabe cozinhar - e preparar um suculento leitão à pururuca para ser vendido em feiras livres por Brasília a preços populares pode acabar com a fome de boa parte do Sobradinho e da Ceilândia. De toda forma, isto poderia manter Jorge Lorenzetti ocupado o suficiente para não se envolver novamente com dossiês - e boatos dão conta de que seus churrascos são palacianos.


Isso também pode ser aproveitado para o lazer, why not?, sendo que todos sabemos o quanto um estressado legislador deve esfriar sua mente após tanta labuta. Que tal colocar uma rede no meio da mesa do presidente de ambas as casas para animadas partidas de pingue-pongue, e evitar exorbitantes preços de partidas de tênis, golfe e turfe? Isso também poderia ajudar a fazer entender o governo e a oposição, organizados em duplas PSOL e PFL contra PSDB e PT, quem diria?


Tertius, os parlamentares em questão também têm direito aos bons gozos que a vida proporciona, é claro. É o único prazer que tanto os filhos do Bradesco quanto os flagelados da seca têm em igual proporção, expalocci.jpgcetuando-se o fator estético, o espelho de teto e os vibradores tailandeses de 3 velocidades. Como dizia Diógenes, um prostíbulo mostra que entre diversão barata e cara não há lá muita diferença. E é notório e bem conhecido de todos que o Congresso Brasileiro não possui, digamos, um salão oval. E não é preciso se preocupar com a repercussão pública desta zona de tolerância: desde um famoso caso envolvendo um futuro ministro da Casa Civil que não citarei o nome, é de praça pública que uma simples quebra de sigilo pode devolver à vida pública à qualquer homem público - e será mais fácil ainda com qualquer mulher pública, como atestado por qualquer dicionário.


Assim, sugiro que o erário transmutado em comissão parlamentar que está sendo, digamos, investido nas profissionais que cuidam dos bons tratos de nossos caros congressistas seja melhor aplicado (!) num michê fixo, mensal, pago a concursadas para executar essas funções. Não são poucos os casos de machos que pararam de freqüentar as putas por calcularem ser mais econômico pagar tributos tabelados à estagiárias de Direito e Comunicação.


Já aqueles cujos perus estão em desuso há alguns bons equinócios, tratei de pesquisar o preço do Viagra e notei como ele deve ser mesmo uma notória preocupação no bolso (sem trocadilho) dos congressistas. Ainda não encontrei uma solução viável para tal delicado impasse, mas se o Bill Gates doou Viagra para a África - bela ação, apesar de atrapalhar o urgente controle populacional - creio que um pedido para a Microsoft, talvez com renúncia fiscal abonada, venha bem a calhar, pois é um gasto que influi diretamente no peso dos impostos da máquina do Estado, d'accord?


Enfim, parafraseando Churchill, O que eu espero, cavalheiros, é que depois de um razoável período de discussão, todos concordem comigo.


Com meus sinceros sentimentos (por obséquio não perguntar quais),


Flavio Morgenstern.

Luis Nassif e as feminazis: quanto custa uma palavra?  

Posted by Flavio Morgenstern in , , , , ,

Luis Nassif era colunista de Economia da Folha. Seu feito mais notável foi escrever um livro inócuo chamado Cabeças de Planilha, que nem seus hoje assíduos leitores conhecem, em que denuncia o processo de privatização durante o reinado FHC.

luis nassif.jpgNassif, até 2006, era como Frank Zappa ou Robert Fripp: estes são músicos que só músicos conhecem. Nassif era um jornalista que só jornalistas conheciam. Com a diferença de que os primeiros são geniais demais para o populacho compreender. Nas palavras de Hamlet, são caviar to the general - como "pérolas aos porcos", são algo precioso que seria dado a quem consegue apreciar. Nassif só era desconhecido por ser micharia conhecido apenas pela própria pequenez.

A coisa começou a feder para o lado de Nassif quando este publicou uma mensagem que foi repassada a vários jornalistas por Luiz Roberto Demarco, que comprovadamente recebia dinheiro da Telecom Itália para fazer lobby contra Daniel Dantas. Nassif não citou a fonte para não se queimar, mas não cuidou sequer de corrigir os erros de Damaceno: ambos chamam o presidente da Portugal Telecom no Brasil, Shakhaf Wine, de Shakaf Wine.

Nassif queria derrubar Dantas. Seu site de notícias era patrocinado pelo BNDES, o maior acionista da Telemar, concorrente de Dantas. Tudo isso já fora demonstrado ipse dixit por Diogo Mainardi em 2005. Ele conclui, em Chega de ética, Nassif: "Não surpreende que um paladino da ética como Nassif tenha defendido a compra, por parte da Telemar, da produtora de fundo de quintal do filho de Lula, Fábio Luís. Outro importante patrocinador do site de Nassif é a Odebrecht, cujo fundador mereceu um panegírico apaixonado numa coluna recente."

mainardi.jpgAcusam Diogo Mainardi de histrionismo. Diogo pode ser o que for, mas sua coluna não devia R$4 milhões ao BNDES, por um arrombo de falta de destreza, abusando-se do eufemismo, com o dinheiro público. De umas décadas para cá, tornou-se mais importante defender sua crença do que cotejá-la com a realidade. Mesmo que esta realidade custe milhões de reais.

Enquanto Nassif ganhava seu dinheiro do BNDES e lambia as botas de seus financiadores por isso, o iG pagava a Franklin Martins um michê entre 40 000 e 60.000 reais. Já o programa de Paulo Henrique Amorim recebia o montante de 80.000 reais. O iG pertence aos fundos de pensão do governo. É lulista até a medula. Antes disso, sempre esteve apontado de alguma forma com as maracutaias dos aumentos nos custos da telefonia. Alguém se lembra de que ele se pretendeu, em sua origem, ser um provedor de "internet grátis"?

O BNDES financiava a Telecom Itália, impedindo a sua falência desastrosa, e a Telecom Itália patrocinava o blog de Nassif. vale lembrar novamente o resumo que Diogo Mainardi fez do caso:

(...) Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.

Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: "Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo". Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. ( Nassif, o banana )

A brincadeira rendeu a Nassif ser pénabundeado da Folha, assim que Otavio Frias Filho soube do lobby. Mas a tal Dinheiro Vivo estava precisando do que diz o seu próprio nome, devendo um rombo de 4 milhões de reais ao banco (convenha-se: falir com negócio financiado pelo BNDES é mesmo obra de gênio). Mais do Mainardi:

No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. (op. cit.)

veja nassif.pngOu seja, descontando o que deveria ser devolvido nos devidos emolumentos por atrasos, Nassif custou pelo menos R$1.300.000,00 do nosso dinheiro. Quantos Bolsas-Família vale um Luis Nassif?

Mas não pára por aí. a estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), vinculada ao Palácio do Planalto e responsável pela TV Brasil, fechou contrato anual, fechado sem licitação, de R$ 1,28 milhão com Luis Nassif. Sua empresa, Dinheiro Vivo Agência de Informações, produz um debate semanal, de uma hora, e cinco filmetes semanais de três minutos (via Mídia Independente).

Contas feitas e noves fora, descontando um Franklin Martins e um Paulo Henrique Amorim, até o momento Nassif custou quanto do governo? Por que devo pagar ao Nassif mesmo sem ler suas aleivosias? Por que, se ele é pago com o meu dinheiro, não posso pénabundeá-lo como o fez Otávio Frias Filho?

O faniquito feminazi

Luis Nassif tem tantas ganas por dinheiro vivo que não teve escrúpulos em ter uma empresa com esse nome. É o tipo de coisa que se um Reinaldo Azevedo fizesse, estaria sendo alvo de chacota e teria um apelido pronto entre os blogueiros até hoje. Mas Nassif pede dinheiro do governo. Dinheiro vivo. E deixa uma dívida de R$4 milhões com o BNDES.

nassif caricatura.jpgSei que Nassif, no Twitter, costuma procurar por seu próprio nome para saber o que falam a seu respeito, não se contentando com as mentions a @luisnassif. Fico na dúvida se também procura por Nassifra, como conseqüentemente ficou apelidado por isso.

Mas isso nunca foi problema para os acólitos do seu público fiel. Eu não sei o que a "blogosfera progressista" achava da Folha antes de Nassif sair de lá, mas hoje criticam o jornal, por ser da "grande mídia". Como criticam a Globo, mas acolhem de braços abertos Paulo Henrique Amorim. Não vejo coerência na postura, a não ser interpretá-la como "o que é válido para o PT, é defensável; os argumentos inventamos na pressa depois".

Luis Nassif só se tornou um estorvo para seus leitores e blogueiros aduladores (para quem tocou um chorinho num encontro de "blogueiros progressistas" com dinheiro público, esse ano) por ter reproduzido como texto um comentário de um leitor que usa o termo feminazi.

A patuléia não gostou. Como os "progressistas" incluem grupos exigindo ações afirmativas via governamental, como as feministas, imediatamente estas se viram traídas por seu líder e sumo ex-representante na "mídia burguesa". De repente, parece ter havido motivo para não se considerar Nassif um misto de "Machado de Assis com Einstein", como Paulo Henrique Amorim classificou o grupelho.

O que importa um rombo de dinheiro que dificilmente seus lacaios verão em vida provocado por Nassif? O que importa é que ele falava bem do PT. E, de repente, postou um texto com o termo feminazi, que é "mentirosa, manipuladora e ofensiva", segundo Cintia Semiramis, líder das inquietas.

feminazi.jpgPara esta camorra, não é possível discordar de seus faniquitos e ataques de pelanca nem mesmo em termos estéticos. Ora, é consabido entre qualquer cidadão devidamente registrado em cartório, batizado e vacinado e capaz de diferenciar uma Jeanna Fine de uma Judith Butler do caráter eminentemente barango das representantes do movimento feminista, que possuem uma Jane Fonda para cada geração de Beauvoirs. Nem mesmo reclamar da forma grotesca como reagem a piadinhas é permitido para a blogosfera feminazi, que alguma coisa fez para merecer esse epíteto - no entanto, ainda fica claro que fazer encontros misteriosos e tratar dinheiro público com promiscuidade.

Creio ser despiciendo explicar ao meu ocasional leitor que eu possa estar a defender Luis Nassif. Apenas salta a estes olhos que a terra há de comer como podem ser derrubadas tantas árvores virtuais para se escrever textos criticando o comportamento de Nassif ao usar tal termo, como se fosse a sua única falha de caráter, já com anos de praça.

Após mandarem textos para o próprio exigindo um pedido formal de desculpas com as feministas do Tutto nello Stato e serem rechaçadas com a explicação de que ele teria publicado o texto "Para provocar mulher braba", quase como a oferecer o nariz ao punho do deselegante autor, deram mote à sua própria teoria, com novos ataques histéricos, hashtags e uma campanha de indignação com a descoberta do novo Eldorado: que até o pessoal de esquerda fica de saco cheio desse discurso de feminista no repeat há mais tempos do que me conheço por um espermatozóide de sucesso.

Mas se é com este critério que aquilatam valor a Luis Nassif, a Folha, as denúncias que levaram ao seu pénabundeamento de lá que não foram publicadas apenas por um bastião liberal para as massas como Diogo Mainardi, pergunto-me se estaríamos autorizados a agir da mesma forma.

Felizmente para as nossas feminazis de sempre, elas podem ficar tranqüilas: nem que perdessemos a vergonha na cara de se aliar a qualquer matusquela para tirar o PT do poder iria acobertar qualquer denúncia de corrupção e laxismo com o erário apenas porque é público que Nassif fez pior.

Do contrário, já estaríamos com discurso de Capitão Nascimento a cada denúncia de corrupção na "oposição" abaixo de R$1,3 milhão, descontando juros e mora: "É só isso? Põe na conta do Nassif."

Inauguração – Ou como nascer velho  

Posted by Flavio Morgenstern in , ,

Queridos amigos, estou terminando um processo de enrolação que já dura alguns meses para iniciar uma nova fase em minha atividade bloguística.

O primeiro passo foi dividir os assuntos de meu outro blog (o Caffeine Cult). Sempre havia pensado no blog como um repositário de pensamentos de quem vive em um meio de vastas leituras a cansar os olhos na madrugada. E por muito tempo até que deu certo.

O problema é que passei a escrever com certa (certa) regularidade no blog a partir desse ano - por "regularidade", aqui, entenda-se: toda vez em que podia gastar mais tempo escrevendo do que caçando trabalho. E esse ano, como o memorioso leitor haverá de lembrar, foi ano de eleições. Foi ano de tremeliques nas bases esquerdistas desse país. Foi ano de calorosos debates entre a esquerda aparelhadora, a esquerda festiva, a esquerda verde e a extrema-esquerda.

Hoje olho para o Caffeine Cult e vejo que, ao contrário de sua proposta inicial, de quando escrevia algo por lá uma vez a cada 4 meses, ele foi sendo tomado por textos eminentemente políticos. E tanto esse não era o seu foco que, após publicar um único texto envolvendo política por lá, numa época em que eu mal tinha 3 leitores pouco assíduos, eu já tratei de criar um proto-blog apenas político, que acabei abandonando - o Regulas Defaecare, cujo nome poucos tentaram traduzir do latim usando apenas o bom senso.

O problema, para mim, nunca foi escrever sobre política. Sempre que estava com um vácuo suficiente na bolsa escrotal, lá estava eu a destilar mistifórios contra a pequenez de nossos pensamentos, sobretudo de nossa intelligentzia - porque ela é que justifica a merdice que são os nossos políticos. O problema foi que não poderia mais escrever sobre outras coisas.

É difícil poder escrever sobre literatura, fazer a análise de um filme ou de uma música, como já fiz antes, quando vejo que meus 2 leitores recentes parecem conhecer o blog apenas por suas ranzinzices poliqueiras.

Eu sei como é desastroso ler blogs com temas mistos. É fácil perder leitores que gostam das minhas observações sobre filosofia política, mas não agüentam minhas piadinhas com sobejante quantidade de palavrões quando invento de falar de música. Ou mesmo que não estão interessados em minhas sólidas básicas musicais. E a recíproca é verdadeira. Nem quero imaginar o povo que sigo porque têm bons blogs sobre videogames da década de 80 falando sobre política. Ou qualquer combinação do tipo.

Preferi, assim, criar um blog de música (que essa semana estará no ar), um blog de política (este que vêem) e deixar o Caffeine com sua proposta original: comentar artigos de cultura variada, sejam os grandes clássicos do cânone ocidental, sejam séries enlatadas de TV americana; sejam críticas filosóficas á patuléia ignara, sejam videogames cheios de sangue violência para a nossa juventude.

Disclaimer

Ter um blog de política, porém, exige uma explicação extra. Tenho agora minha coluna semanal no Instituto Millenium, onde ainda posso destilar um pouco de minha bile de maneira acadêmica, burilada e atento às vicissitudes do momento. É um espaço que me foi gentilmente cedido e, por um respeito imenso por ter meu nome em companhia de Demérito Magnoli, Reinaldo Azevedo, Maílson Nobrega, Gaudêncio Torquato, Roberto Civita, Sandro Vaia, Nelson Motta, Gustavo Ioschpe, Ricardo Amorim, Yoani Sánchez, Alexandre Schwartsman, Roberto DaMata, Ives Gandra Martins, Alexandre Barros, Guilherme Fiúza, Moacyr Góes e Roberto Romano, procuro deixar para o Instituto apenas o melhor de mim.

(foi assim, aliás, que, orgulhosamente, tornei-me o autor mais lido do Instituto por mais de dois meses quando dos artigos A farsa da quitação da dívida externa e Regina Duarte estava certa, me deixando em primeiro e em segundo lugar.)

Porém, nem sempre posso escrever qualquer coisa para o Instituto. Às vezes é bom ter um lugar para discutir assuntos menores, que se dissolvem com mais rapidez nas águas do momento. E ter um espaço para comentar assuntos no calor da ação, já que qualquer espera pode destruir a intensidade do que se escreve. E, afinal, poder falar de política suja com boca suja, vez por outra.

Transportei para cá os textos sobre política do Caffeine e do Regulas. Estes últimos são antigos, mas possuem coisas boas, que não se perderam com o passar dos anos. Quem estiver a fim de escarafunchar, escarafunche. Tem boas coisas por aí, que logo vou ressuscitar.

Não terminei de editar tudo o que preciso. Há muitas coisas no layout que ainda não consegui editar, e preciso cuidar da edição de algumas coisas nos posts antigos quase um a um. Mas o resto vocês já conhecem: é meu velho conteúdo político tentando ir além dos fatos sem as soluções fáceis e clichê da autocomiseração pedinte, do outroladismo partidário, do coitadismo facínora, do vezo comezinho de culpar o sistema e outros inimigos prontos, fáceis, abstratos e genéricos que insofismavelmente ocultam os verdadeiros problemas, geralmente a poucos milímetros do nariz de formadores de opinião e seus cupinchas.

Assim, esse blog nasce, mas já nasce velho. É um bom subterfúgio para sua ranzinzice. E um bom motivo para que os textos que tenho enrolado para publicar possam vir à luz sabendo que estão em um espaço não invadido, feito para eles e sem ter de ombrear espaço com o que realmente interessa ao mundo: as grandes obras que independem de partido.

F. M.