Satisfação para Renan  

Posted by Flavio Morgenstern

Eu possuo diversas "fontes de notícias" para comentá-las com aprofundado embasamento filosófico (com o perdão lá da consuetudinária escassez de modéstia) por essas bandas.

Nunca escondi, entretanto, que meu principal exemplo foi sempre o blog do Reinaldo Azevedo - ainda em sua época de Primeira Leitura, e como fiquei feliz em vê-lo nas páginas da Veja logo que sua revista fechou as portas.

Mas nessa semana não sei se nada de novo no front surgiu, se só apareçam novas sobre velhas (como a investigação da PF sobre Renan Calheiros) ou se Tio Rei está mesmo preocupado com a jogada desesperada do futuro ex-líder do Senado, que acusa a TVA de fazer um "acordo ilegal" com a Telefonica para se tornarem sócias - e, assim, desqualificar as denúncias da Veja sobre seus bois vestidos com o velocínio de ouro.

Oras, Reinaldão, precisa mesmo gastar tanta saliva com quem não merece?! Já que essa acusão prescinde de provas, vemos que Renan é mais um que, à guisa do psicopata argentino Ernesto Che Guevara, considera os processos judiciais mera "frivolidade burguesa". Então, por que diabos se preocupar com isso para falar, oras bolas, de acusações que até mesmo já transitaram em julgado?!

Se há uma prova de que um negócio desses é legal é, obviamente, que Renan Calheiros, o homem dos bois de ouro, afirma que ela é ilegal, e vice-versa.

Precisa de mais?

Chávez atrasa a Venezuela. Em meia-hora.  

Posted by Flavio Morgenstern

O orkut é mesmo uma coisa muito divertida. A inclusão digital faz com que pessoas muito pouco dadas às selvagens regras de civilização da classe média sejam vítimas de seus motejos venenosos em comunidades como Piores Perfis do Orkut, mas também vemos membros dessa mesma classe média falando mal da classe média e bradando sobre a "Venezuela livre" com Hugo Chávez.

Eu vivo dizendo que esse tal de Chávez falando espanhol é pior que reprise das Chiquititas. Mas agora temos uma prova definitiva de que Chávez atrasa a Venezuela.

Em meia hora.

Não sei quem, mas deu na Globo Notícias:


Hugo Chávez vai alterar o fuso horário da Venezuela em meia hora. Inicialmente marcada para janeiro de 2008, a mudança deve acontecer junto com o início do ano letivo, na terceira semana de setembro, segundo informou o ministro venezuelano da Ciência e Tecnologia, Héctor Navarro.

Com a mudança, a Venezuela passaria a ter 4 horas e 30 minutos a menos que o Meridiano de Greenwich (meridiano zero) e não mais 4 horas, segundo a imprensa venezuelana.


Com relação ao horário de Brasília, o território venezuelano passaria a ter 1 hora e meia de diferença (por exemplo: quando no Brasil for 10h, na Venezuela será 8h30). Para isto, a Venezuela passará a usar o Meridiano 66 como base e não mais o 60.

A mudança vai "melhorar o rendimento dos venezuelanos em suas atividades diárias", comentou Chávez em seu programa semanal, no último domingo (19).

Segundo o ministro Navarro, os custos da alteração no fuso "serão mínimos".

7 Controladores de Tráfego Aéreo presos  

Posted by Flavio Morgenstern

Para apimentar um pouco o clima de urucubaca política na crise aérea, mais notícias quentes: 7 Controladores de Tráfego Aéreo podem ter sido presos em Manaus, por ordem judicial, mantidos incomunicáveis em celas de quartéis do Exército.

Verdade ou boato, é bom ficar de olhos abertos.

Segue ofício da ABCTA:

Ofício nº 07ABCTA2007 Brasília, 15 de agosto de 2007.

Senhor Presidente,

Através deste informo a Vossa Excelência que recebemos denúncias de esposas de Controladores de Tráfego Aéreo de Manaus de que sete controladores foram presos em quartéis do exército brasileiro, por determinação da justiça militar, sob acusação dos mesmos apresentarem perigo a ordem e a disciplina. Há denúncias de que alguns sargentos ficaram presos em locais sem condições dignas de habitação e sem recebimento de refeições, inclusive com a proibição de visitas de seus familiares para entrega de roupas e material de higiene pessoal.Informo-vos que estes militares já haviam sidos retirados de suas funções e transferidos para organizações que não prestam o serviço de suas respectivas especialidades, inclusive com transferências para outros Estados.
Atenciosamente,

Wellington Rodrigues
Presidente da ABCTA

A Vossa Excelência o Senhor
Dep. Marcelo Castro
Presidente da CPI da Crise Aérea.

Filhos da Petrossauro  

Posted by Flavio Morgenstern

Existe algo de podre no Reino das Bananas, e esse algo é a Petrobras.

Ontem, enquanto enfrentava os atemorizantes elevadores do prédio de Letras, ouvi típicos bolcheviques universitários conversando sobre algo que, se eles conseguissem fazer, seria a maior vitória da esquerda em uns 30 anos. Já quase saindo da sorumbática experiência do elevador, entendi a que se referiam: reestatizar a Vale.

Enquanto vemos a classe média (ops! quando ela reclama, se transforma em "a Zelite") reclamando de algo factível (a corrupção e incompetência do governo), vemos a esquerda, eternamente utópica, reclamando que uma empresa, que controlada pelo Estado estava na bancarrota, é considerada, hoje, uma das empresas mais lucrativas do mundo. Qual a vantagem da estatização? Nenhuma. Mas qual esquerdista liga para o mundo real? O que importa é que eles querem brincar de socialistas, mesmo quando não percebem.

Existem fundos de investimento de alto risco, hoje em dia. Coisa pra quem pode se arriscar a investir em algo e perder tudo, depois. Contudo, as possibilidades de lucro podem ser altíssimas, também. Há gente especializada nisso - é o chamado private equity (capital privado), que compra empresas mal-geridas, à beira do precipício, investe em infra-estrutura e administração e as revende por uma fortuna. O fundo americano Matlin Patterson comprou a Varig por 24 milhões e a revendou para a Gol por 320 milhões. Assim funciona num mundo liberal sem encheção do Estado.

Já com o Estado... bem, se há uma péssima gerência das despesas, tudo o que você pode fazer é aumentar impostos e fazer a população pagar pelo rombo. Já com administração privada, se uma empresa quebra, quem paga o pato é quem a quebrou. Nada mais justo.

A Petrobras já tem mais de 50% de capital privado. Os 50% restantes são um dos maiores perigos para o Brasil. Se ela vai mal, quem paga é o povo. Se ela vai bem, serve apenas para pagar os gastos infindáveis da máquina do Estado, além de tramóias partidárias. Para quem tem dúvidas, é só ver o vídeo abaixo.

O próximo filme político bombástico sobre a ditadura militar (deve ser o de número 247 desde que Lula chegou ao poder, todos comverbas da Petrobras, mesmo que sejam um fiasco no mercado e nunca ninguém os assista) chama-se Hércules 56, o nome do avião que levou 15 presos políticos para o México após o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick pelo grupo terrorista de extrema-esquerda MR-8.

O MR-8 tinha entre suas lideranças Franklin Martins, o homem que me fez parar de abreviar meu nome como F. Martins. Franklin Martins é aquele atual jornalista que Diogo Mainardi definiu como "José Dirceu até a morte" em sua coluna "Observatório da Imprensa". É aquele mesmo que, após mais algumas trocas de farpas com Diogo na imprensa, resolveu processá-lo. É aquele mesmo cujos amigos Kennedy Alencar e Paulo Henrique Amorim, sabiam, antes mesmo da defesa de Mainardi e da Editora Abril ser anexada ao processo, qual seria o resultado que o juiz daria em primeira instância, e quanto seria cobrado por sua honra (R$30.000,00). É aquele mesmo que, em mais mostras de estranhas ligações com o governo, ganhou um estranho carguinho público: Ministro da Comunicação Social (?) - pela primeira vez na história do país, a pasta é ocupada por um jornalista, numa clara quebra da ordem natural de fiscalização e isenção.

É o mesmo ex-líder do MR-8, grupo que ainda publica o pasquim mequetrefe "Hora do Povo", fazendo ameaças (de quê?) a Diego (sic) Mainardi em sua capa no meio do imbróglio na Justiça entre os dois: "Já o pequeno canalha perdeu apenas algum dinheiro. Sabemos o que o vil metal significa para certo tipo de pessoa. Ainda assim, ao que tudo indica ele está pedindo para perder algo mais. Pode ficar tranqüilo. Não faltarão almas pias para fazer a sua vontade”.

Esse é o seqüestrador. Entre os presos, quem encontramos? José Dirceu, aquele que anda armado desde os 19 anos, que só vai confessar em quem atirou quando passar dos 80 anos, ex-braço direito (epa!) e super-ministro de Lula, que está em campanha por "anistia" após sua cassação. O mesmo que recebeu bengaladas do curitibano Yves Hublet. O mesmo que se demitiu do cargo para não ter de suportar denúncias sobre a orquestração do mensalão e está inelegível até 2015.

Agora, ambos brilham nas telas. Aposto que professores de "humanidades" de tendência marxista farão muitos alunos assistir o filme. Prevejo como todos falarão da luta contra a ditadura, mas ninguém admitirá que o MR-8 e a ANL queriam implantar uma ditadura ainda mais sanguinária. Presumo que, com verbas do governo federal, estarão todos se defendendo, falando em "operações táticas" para dizer "seqüestro", e "libertação" para dizer "terrorismo".

Mas sei de uma coisa, leitor: todos estarão se defendendo. Com o seu dinheiro.

Alguém mais aí quer vender a Petrossauro?

A grande vaia  

Posted by Flavio Morgenstern

frase do dia: "Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive.” - H. L. Mencken

Há um video muito bonito no Youtube sobre a grande vaia. Foram raros os vídeos políticos que vi recentemente que possuem uma boa edição. Já a apostar na conhecida preguiça de meus leitores (o que é uma bela desculpa para o tanto que ando escrevendo), deixo-o aqui de antemão, como um "resumo" do post anterior.

Falei que a classe média é quem realmente pensa sozinha. Quando a classe média vai contra uma idéia, outros membros da classe média passam a chamá-la de "elitista", independentemente de sua posição econômica. Esse vídeo confirma o que disse.

Não gosto de fazer propaganda alheia, mas essa merece. Não há partidos. Não há bandeiras. Não há motins. É isso que a imprensa e a classe média esquerdista chama de "golpista"? E o "Fora FHC e o FMI!", que possuía mais cartazes e bandeiras do PT, CUT, PC do B, PCO, PSTU e MST do que bandeiras vermelhas na Revolução Russa?

Não existe "golpismo". Existe insatisfação. A democracia prevê isso, ao dar voz a todos. E é uma atitude extremamente saudável, inteligente e íntegra estar contra os governantes - ou porque esse povo não via "golpismo" nas manifestações contra os tucanos ou no Impeachment de Collor?


Afinal, tadinho do governo...

Esse é o pensamento "burguês", que sempre adorei. Não está alienado nem pela falta, nem pelo excesso. É quem sofre com a Economia no bolso, mas ainda consegue se informar - quando quer.

A diferença, aqui, é nítida: agora, temos manifestações contra um partido, sem ninguém com bandeiras da "oposição golpista". Antes, tínhamos manifestantes com bandeiras, que diziam reclamar do governo quando, na verdade, reclamavam apenas de não estar no governo.

Nosso veneno se veste melhor.

Classe média e a dona Zelite  

Posted by Flavio Morgenstern

Dizem que "esquerda" e "direita" são rótulos já desgastados. Costumo dizer que, politicamente, querem dizer muito pouco (autoritarismos e democracias ocorreram sob ambas as égides), embora economicamente a diferença seja gritante.

Se a esquerda, seguindo a linha econômica marxista, prevê o Estado como um controlador das transmutações pecuniárias, em vistas de uma "distribuição igualitária de renda", as direitas, no mundo todo, confiam em linhas de controle mínimo de mercado, onde há momentos de crise freqüentes, acúmulo e perda de bens com o passar do tempo, especulação financeira, a tal da "desigualdade" e diversas outras palavras assustadoras, mas que permitem a evolução da sociedade.

Nesse aspecto, ser "de direita", atualmente, implica, cada vez mais, numa busca por um Estado mínimo e menos burocratização do mercado, a se iniciar por diversas privatizações. Ser "de esquerda", por outro lado, implica em maior controle estatal, planificação econômica, cerceamento à livre iniciativa e câmbio controlado, dentre outras coisas. O que é a "extrema-direita" econômica são as políticas de privatização acelerada, com um Estado de pulso firme mas atuação reduzida - como segurança ou meio-ambiente -, enquanto a "extrema-esquerda" preza o modelo castrista, chavista, stalinista e de diversos outros líderes que optaram pelo mais completo controle estatal.

Não à toa que o Nazismo, indo contra o liberalismo econômico em diversos aspectos, tanto perseguiu os judeus que controlavam as instituições financeiras na Europa, e mesmo hoje organizações (neo-)nazistas são vigorosamente contra o neoliberalismo. O Nacional-Socialismo aproveitou o formato de "S" da suástica para imprimir seu Socialismo - apesar do suposto capitalismo nos países dos fascismos do séc. XX, as empresas podiam ter autonomia especulativa, mas nunca produtiva - é só analisar como a República de Weimar controlou a produção, de alimentos até armas, em indústrias como Bosch, Volkswagen ou Bayer.

No Brasil não se lê Weber, Irving Kristol, Paul Wolfowitz ou Francis Fukuyama. No máximo, estudantes de Economia, que são um caso a parte. No Brasil também não se lê Marx, mas todos o seguem como crentes seguem Jesus sem entender suas parábolas. Karl Marx foi um pensador muito importante, que tirou a filosofia das torres de ébano e a trouxe para a realidade mais abjeta. No entanto, seu modelo econômico foi uma dura crítica ao capitalismo europeu pós-Revolução Industrial, e nada mais. Este mesmo país que grita "Fora FMI e o neoliberalismo!" desconhece o Consenso de Washington.

Para isso, há uma diferença entre ricos e pobres. Quem diferencia? A classe média, que está no meio. Quem é a classe média? É a imensa maioria da população produtiva do país. Em grandes centros urbanos, a maioria absoluta das pessoas é de classe média. São aqueles que você maie encontra espremidos nos metrôs, aqueles que lêem livros de auto-ajuda e vão em centros espíritas, que lêem jornais e assistem Big Brother, compram no shopping e pechincham na quitanda.

A classe média sempre foi assim. É sua prerrogativa mais deliciosa: não vive num afetado e irreal mundo de privadas de ouro como os gigantes empreendedores internacionais, não anda de helicóptero, não vai passar um fim-de-semana na Grécia quando se deprime. Anda de ônibus, conhece muita gente pobre, se indigna com a fome na África, não entende lhufas de Bolsa de Valores, quebra todos os limites de cheque especial e empréstimos bancários.

É a classe que mais lê. As grandes revoluções mundiais, que foram orquestradas por pensadores, tiveram "os do meio" como massa de manobra - é só pensar na Revolução Francesa. É a classe, afinal, com mais liberdade de pensamento. Isso implica que, ao contrário do proletariado e da "elite dominante", pensa com liberdade e não se entende nunca. Já viu alguém criticando a classe média? Eu já. E todos eles eram de classe média. Quando começa a pensar em teorias mais globais, com visão "de fora", não se importa em ir contra si própria. Quem lê o Estadão é a classe média. Quem lê Caros Amigos, também. Na maioria das vezes, ganham o mesmo.

Como se diferencia o pensamento "de esquerda" e "de direita" aqui? Parece complicado. Pelo IBGE, existe um "piso salarial" para a classe média "alta": R$3.800,00. Ajuda? Não: Conforme publicou a Folha, existem mais "pobres" (5,9 milhões) andando de avião do que “ricos” (5,6 milhões). Ao contrário do que diz a esquerda, não é um problema da dona Zelite... É gente cheia de contas pra pagar que padece nos aeroportos. Sem falar em quantos seres estão a falar em comunismo de dentro de seus BMWs e com o diploma de Direito na parede...

Porém, se alguém da classe média tende à direita, é "reacionário", "burguês" (cof, cof) e "elitista". Se alguém ganha até mais, acumula mais capitais, mas tende à esquerda, perde todos esses adjetivos. Assim é que se pensa. O que chamam de "elite dominante" pode ser a econômica, que é muito pequena, ou o pensamento que chamam "elitista", que é um pensamento de classe média, também se matando para pagar o aluguel. Mas só é elitista quando é dos outros...

É fácil encontrar quem é de esquerda: são aqueles que acreditam que, se algo deve mudar, deve mudar através do Estado. Se algo há errado, o Estado deve intervir. Se alguém perde dinheiro, é culpa do Estado (ou melhor, do partido dos outros). Se alguém ganha dinheiro demais, é mais um cacique da Zelite que deve ser combatido.

O nível de controle da esquerda é tamanho que, quando está no poder, não importa em qual democracia, confunde os votos que recebeu com o próprio anseio da população. Mistura governo com partido. Sempre. Um exemplo bem claro aconteceu nessa semana: a manifestação vaiando Lula.

Quem sabe fazer manifestação no Brasil? A esquerda, sempre a confundir seus ideais com seu partido. Alguém pode se lembrar de alguma manifestação "Fora FHC!" que não tenha sido organizada por algum sindicato, que não tenha tido diversas bandeiras do PC do B, PCO, PSTU e PT (o PSOL inexistia, ainda)? Nem eu. Contudo, a classe média, ou melhor, "a zelite dominante" fez sua manifestação anti-Lula, dessa feita.

O que era de se esperar? Bandeirolas do PSDB e do DEM para todos os lados? Não. Uma pessoa tentando distribuir bandeiras tucanas foi vaiada junto com Lula, em São Paulo. Esse é o estilo "burguês", classe média, de ser: está sempre sozinho, sem assistência do Estado, mas sempre é quem pensa e quem critica. Quem está na luta contra ditaduras injustificadas e contra a corrupção. E não precisa de um partido ou um veículo de comunicação para organizar sua indignação, como acontece com a esquerda mequetrefe e sua turba enfurecida.

Qual foi a resposta de um membro da classe média esquerdista? Obviamente, sentiu que falavam com o PT. E, como sempre, tomou as dores de seu partido, acreditando que este partido, agora de situação, ganhou uma espécie de poder absolutista dos deuses. Agora, quer acreditar que, para se criticar Lula, é necessário ser tucano. Como se o PSDB fossem "de direita"...

Foi criada uma "sátira" à campanha do "Cansei", da OAB. O título no Youtube é "CANSADOS" DE CONTAR DINHEIRO E SONEGAR IMPOSTOS SEUS VIADOS (sic). A classe média sabe pensar sozinha, sem hastear a bandeira de um partido. Mas acaso a esquerda sabe? Vejam com seus próprios olhos.



Fazer algo por suas próprias mãos, sem pedir ajuda ao Estado. Deu pra entender o que é "direita", agora?

Estamos obrando para melhor atendê-los  

Posted by Flavio Morgenstern

Meus queridos leitores,
Regulas Defaecare em breve estará de cara e endereço novo, haja visto que obriguei muita gente a fazer até a terceira aula da magnífica lingva latina para decorar o nome deste estimado blog.
Enquanto obramos para melhor atendê-los, aproveitem a magnífica entrevista concedida no post abaixo, e, para manter em dia meu sagrado e ótimo mau humor, lego-lhes uma piadinha marota:
Jeito PT de responder perguntas
Lula foi a uma escola conversar com as criancinhas, acompanhado de uma comitiva. Depois de apresentar todas as maravilhosas realizações de seu governo, disse às criancinhas que iria responder perguntas.
Uma das crianças levantou a mão e Lula perguntou:
- Qual é o seu nome, meu filho?
- Paulinho.
- E qual é a sua pergunta?
- Eu tenho três perguntas. A primeira é: "Onde estão os milhões de empregos prometidos na sua campanha presidencial?". A segunda é: "Quem matou o Prefeito Celso Daniel?". E a terceira é: "O senhor sabia dos escândalos do mensalão ou não?".
Lula fica desnorteado, mas neste momento a campainha para o recreio toca e ele aproveita e diz que continuará a responder depois do recreio. Após o recreio, Lula diz:
- OK, onde estávamos? Acho que eu ia responder perguntas. Quem tem perguntas?
Um outro garotinho levanta a mão e Lula aponta para ele.
- Pode perguntar, meu filho. Como é seu nome?
- Joãozinho, e tenho cinco perguntas. A primeira é: "Onde estão os milhões de empregos prometidos na sua campanha presidencial?". A segunda é: "Os gastos com o cartão de crédito de D. Marisa são pagos pelo governo?". A terceira é: "O senhor sabia dos escândalos do mensalão ou não?". A quarta é: "Porque o sino do recreio tocou meia hora mais cedo?". A quinta é: "Cadê o Paulinho?!".
...
Vejo vocês em breve, meus 4 fiéis leitores.

Dois controladores de voo explicam o caos aéreo  

Posted by Flavio Morgenstern

As informações veiculadas sobre a crise aérea e o acidente com o avião da TAM estão num caminho desconexo, entre o extremo técnico (com termos como grooving e aquaplanagem, e até Paulo Henrique Amorim filosofou sobre a aderência da pista de Congonhas) e o teorético (como Marilena Chaui afirmar ter visto um jornalista televisivo dizer que o governo havia matado duas centenas de pessoas), deixando o leigo, sem trocadilhos, a ver navios.

Dois controladores de tráfego aéreo procuram destrinchar algumas sendas tortuosas na seguinte entrevista. São eles Ney Dubourcq Araujo, controlador aposentado do Rio de Janeiro, com 28 anos de serviços prestados, e CTA Sfair, pseudônimo de outro controlador ainda na ativa após 30 anos de profissão, que prefere se manter no anonimato dada a verve contundente de suas denúncias, tendo respondido recentemente por isso a um IPM (Inquérito Policial Militar).

Segue um esclarecedor retrato da crise.


Regulas Defaecare Muita da "culpa" da crise aérea, que já dura mais de 9 meses, foi atribuída à falta de obediência dos controladores de vôo. O que pode ser esclarecido a esse respeito, tendo em vista que pouco ou nada se ouviu dos próprios controladores?
Ney Dubourcq Araujo É preciso entender que a mídia só passou a ter acesso mais abrangente aos bastidores do Serviço de Proteção ao Vôo brasileiro após o acidente envolvendo o Boeing da Gol e o Legacy de matrícula norte-americana.
Entretanto, posso assegurar que a crise surgiu como consequência de uma “bola de neve” que vinha se avolumando há muitos anos. Quando a bola de neve atingiu dimensões insuportáveis, ceifando vidas humanas, a capacidade de resistência dos Controladores se esgotou.

CTA Sfair O fato é que o Controlador de Tráfego Aéreo não recebe nenhum apoio jurídico, psíquico ou qualquer tipo de informação por parte da Aeronáutica no caso de acontecer um acidente. Apenas recebem ordens de não falar nada, até que seja dada essa opção, para não envolver o governo em situações comprometedoras. O CTA (Controlador de Tráfego Aéreo), independentemente de ser militar ou civil, é largado sem nenhuma orientação para responder a processos. Por isso que os CTAs resolveram se associar e, no caso do civis, a se sindicalizar, para poder ter esse apoio que nunca foi dado aos profissionais.

Ney A despeito do reconhecimento de responsabilidade no acidente por parte também do órgão de controle que tinha sob sua responsabilidade as duas aeronaves envolvidas, seria injusto não se fazer um retrospecto mostrando os vários fatores contribuintes para um final tão infeliz.

CTA Sfair Vários foram os fatores que contribuíram para aquela fatalidade. Poderia citar pelo menos 3:

1 – O software tem problemas na sua arquitetura devido a ter sido concebido com especificações inadequadas à operação, pois em nenhum momento da
confecção do software os sargentos e civis controladores são questionados. Então pega-se um oficial que não é o mais talhado para essa finalidade e faz-se especificações, que mais tarde terão que ser corrigidas pelo pessoal operacional (CTAs), que informará à chefia a necessidade de muitas correções naquilo que já se está usando na prática, no tempo real, para ajudar a controlar os aviões. Isso leva tempo, muito tempo para ser feito e mais dinheiro, muito mais dinheiro para se incluir uma alteração.

O software contribuiu e muito com a seguinte falha: a etiqueta da aeronave na tela do radar levava o CTA a acreditar que o avião estava em um nível de vôo em que não estava. E isso já vinha sendo apontado, bem antes do acidente, como um fator contribuinte em um possível acidente. E aconteceu. Era uma não-conformidade da sua especificação. E ainda não foi consertada essa falha, e nem as outras tantas já informadas há muito tempo à Aeronáutica e à empresa ATECH, que produziu e faz as alterações.

Por isso não é cabível o serviço prestado ser militarizado, pois o CTA depende desta ferramenta para poder prestar um serviço seguro à aviação, e quando ele faz muitas restrições aos equipamentos, é ordenado que ele se cale e continue a trabalhar sob pena de ser preso como agitador terrorista, entre outras coisas.

2 – Os CTAs recém saídos das escolas de formação não poderiam estar trabalhando em Centros de Controle de Área (ACCs), pois esse locais exigem que se tenha muita experiência para se trabalhar. Os CTAs primeiramente teriam que passar por períodos de trabalho em uma Torre de Controle para ganhar experiência, e depois de alguns anos, quando esse CTA já estiver seguro e com as normatizações já bem estabelecidas em sua rotina, é que se poderia pensar em enviar esse CTA para trabalhar em um Centro de Controle de Área ACC. Nem todo CTA de torre será um dia um CTA de ACC ou de Terminal APP [emulador terminal de serviços que centraliza operações de controle].

3 – Os equipamentos estavam falhando na sua detecção, não mostravam na tela o que deveria estar sendo mostrado, falhando por várias vezes, e também as freqüências, pois foi tentado um contato com o avião americano e não foi possível.

Para mim, o fator que mais contribuiu para o acidente foi o fato de os pilotos americanos terem desligado o transponder [aparelho que recebe e transmite ondas em uma frequência pré-determinada]. Se o transponder estivesse ligado, o acidente não teria ocorrido, pois o equipamento conhecido como TCAS [Traffic Collision Avoidance System, sistema anti-colisões que monitora o espaço ao redor do avião em busca do sinal de aeronaves com tranponder] teria comandado as curvas anti-colisão, mesmo que os pilotos não o fizessem, para ambas as aeronaves.

Ney Dentre as várias restrições à qualidade da prestação de nossos serviços de tráfego aéreo, aponto uma das de maior peso em todo o contexto: o jugo militar, particularmente no controle de tráfego aéreo. Não é difícil compreender os motivos. Os controladores, militares em sua maioria, não são culpados por serem compulsados a exercer, simultaneamente, duas funções diametralmente opostas: a militar e a técnica. Para a primeira, o suboficial ou sargento é moldado para cumprir ordens, sem questionamentos. Para a segunda, o técnico é formado para dar instruções e autorizações de tráfego aéreo, as quais, em nosso caso, têm um caráter determinativo. Além disso, os órgãos de controle são chefiados por militares que, não poucas vezes, são indicados para a função pela patente, e não necessariamente pela capacidade técnica.

Disso resulta um fato que, pelo meu prisma particular, repercute diretamente na qualidade do serviço prestado: o chefe, como oficial militar, comanda, em lugar de gerenciar. Controle de tráfego aéreo requer criatividade no gerenciamento e na operação, sob pena de a atividade fim ser negligenciada.

CTA Sfair Apenas citarei um fato que mostra a negligencia destes, pois é notório que existe uma grande falta de controladores de tráfego aéreo para ocupar os principais Centros de Controle, Controles de Aproximação e Torres de Controle de Aerodromos: Há 21 anos não se formava profissionais CTAs civis do grupo Dacta para essa atividade - eu disse 21 anos.

RD O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, segundo relatos de confidentes, teria dito que ocupa mais um mandato-tampão, e que a Infraero não controla nada quem manda mesmo são as empresas aéreas. Os senhores têm alguma informação sobre a burocratização do setor?
Ney
Desconheço tal declaração do presidente da Infraero. De qualquer modo, não creio que as empresas aéreas tenham tanto poder assim. E não esqueçamos que a cultura militar se impõe também sobre elas.

RD A ANAC foi criada em substituição ao DAC (Departamento de Aviação Civil), que era um órgão ocupado apenas por profissionais da área. A ANAC, por outro lado, é controlada e dirigida por pessoas de outros setores, muitos que chegaram ali por indicação. Há, numa prova da ANAC, inclusive, uma questão sobre a ex-prostituta Bruna Surfistinha. A ANAC pode efetuar um bom serviço, ou urge revogar a lei de sua criação e reconstruir o DAC?
Ney
A meu ver, o problema surgido com a criação da ANAC não foi a desmilitarização, ainda que parcial, e sim a má escolha dos técnicos que assumiram a direção da agência. É óbvio que esta tem condições de prestar excelentes serviços, desde que devidamente adequada à nossa realidade técnico-operacional.

CTA Sfair Todos que ali estão hoje na ANAC e Infraero com cargos de chefia são indicados pelo governo, em todos os altos escalões – são ex-brigadeiros, ex-coronéis etc. – pessoas que pertencem aos partidos que apoiam o governo, e os técnicos antigos que detinham a experiência e a vivência neste setor foram colocados em segundo plano e não atuam nas decisões dos altos escalões. Aí está acontecendo tudo que estamos vendo: decisões erradas e sempre conturbadas quando se deve prestar esclarecimentos nas horas fatais. Erros em cima de erros.

RD E quanto ao Ministério da Defesa, criado em 1999 e que nunca foi ocupado por alguém gabaritado no assunto?
Ney –
No meu ponto de vista, Nelson Jobim oferece excelentes perspectivas.

CTA Sfair Mas vamos esperar para ver se existe comprometimento. O governo pode continuar a tapar buracos, ou, realmente, pela primeira vez, teremos um ministro de Estado da defesa aérea que terá a coragem de fazer as transformações que são necessárias.

No seu primeiro pronunciamento [Jobim] deixou claro que agora quem manda é ele, e quem não estiver satisfeito pode pular fora. Isso foi um recado para todos, inclusive aos ministros militares.

Acho que a solução mais adequada para o que estamos vivenciando no setor aéreo está além da compreensão e do esforço de uma única instituição. Conclamamos o governo federal a chamar os grupos representativos da área de transporte aéreo: SNA, SNTPV, SNEA, INFRAERO, ABAG, FAB – que já faziam parte do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), acrescidos agora da Sociedade Brasileira de Pesquisadores de Transporte Aéreo (SBTA) – que congrega as maiores inteligências do país na área afetada –, da Associação de Pilotos e Proprietários de Aviões (APPA), da Associação Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo (ANDEP), além da própria FEBRACTA.

É o único caminho responsável, acreditamos.

O único problema é que o PT já enxergou que, se Jobim fizer tudo o que se espera desta pasta, e resolver pelo menos em parte o caos aéreo, ele possivelmente será o candidato a presidente pela sua conduta e pela governabilidade que adquiriu à vista da população. Só que ele é do PMDB. Então não sei até que ponto o governo quer que tudo isso seja resolvido pelo PMDB.

RD – A ANAC foi criada por proposta do Executivo em 2000, ainda sob a égide do governo FHC. Muito se reclama, também, do laxismo de outros governos. A crise aérea no Brasil tem raízes antigas? Houve descaso nesse governo e em outros?
Ney
Talvez tenha existido laxismo por parte dos governos, na medida em que não cumpriram o dever de supervisionar e fiscalizar a influência negativa do jugo militar na proteção ao vôo em nosso país. Quanto às raízes antigas que conduziram o Brasil à chamada “crise aérea” atual, na resposta à primeira pergunta falei alguma coisa a respeito. Claro que outros importantes fatores contribuíram para a presente situação, como, por exemplo, a não correspondência da tecnologia existente com o crescimento vertiginoso da aviação em nosso espaço aéreo.

RD – Muitos incidentes vêm sendo notificados nos aeroportos, nos últimos tempos, mas alguns só ganharam veiculação depois do acidente da TAM (como o incêndio no aeroporto Santos Dumont). Eles são freqüentes ou só ganharam notoriedade depois da crise?
Ney Verdade seja dita: incidentes de tráfego aéreo (não incluo neste contexto o incêndio no aeroporto Santos Dumont) sempre foram freqüentes em nosso espaço aéreo. O que ocorria era que, muitas vezes, não eram reportados pelas partes envolvidas ou, quando relatados noutras oportunidades, os relatos não eram encaminhados aos órgãos competentes. Hoje é diferente, com o acesso da imprensa aos bastidores militar-operacionais.

CTA Sfair Como supervisor técnico e operacional posso afirmar que os acidentes acontecem todos os dias, mas só vão a conhecimento da população quando há vítimas.

RD – O sistema de controle de vôos, há tempos, tem sua eficiência questionada. Algumas declarações esparsas, encontradas na mídia, parecem indicar que isso nunca aconteceu dessa forma, e o problema tem poucos anos de existência. Os senhores podem falar algo sobre isso?
CTA Sfair -
Isso vem sendo relatado há muitos anos nos livros de ocorrências operacionais dos órgãos de controle de tráfego séreo. Todos os dias são feitos relatos de inoperâncias de equipamentos, de freqüências que não funcionam como deveriam, de radar com problemas, de CTAs com problemas de saúde, de software com problemas, de acidentes que quase resultaram em fatalidades.

RD – É seguro viajar de avião, hoje?
Ney
Eu continuo viajando, sempre que necessário, e sem medo.

CTA Sfair Sim, confio e muito no serviço prestado por esses profissionais, que dão o sangue todos os dias para manter essa estrutura funcionando.