A tragédia é política  

Posted by Flavio Morgenstern

Depois de tanta quizumba a respeito da, para abusar do eufemismo, infeliz frase da Ministra do Turismo sexual Marta Suplicy (ainda sonhando que deve concorrer ao governo do estado de SP), eis que quem fala o que quer, recebe o que não quer.

Um relatório sigiloso produzido pela Aeronáutica há dois anos e discutido quarta-feira na CPI do Apagão Aéreo aponta que o governo já sabia das falhas do controle de tráfego desde 2005. Como sempre, nada foi feito. Como sempre, querem despolitizar o tema. Como sempre, ouviremos Lula fazer voz de luto e dizer: "Onde foi que erramos?", como o fez no caos que o PCC incitou na maior cidade do Hemisfério Sul.

Bem, eu não errei em nada. Nem ninguém que eu conheça. Trabalhamos, estudamos, pagamos os nossos impostos - e, ainda, muitos não votaram nesse partido. Para que existe Ministério do Turismo? Para que colocar uma companheira (e "burguesa"!) de partido no Ministério, com qualificações nulas para o cargo ultra-bem-remunerado? Onde foi que o Ministério do Turismo errou, que nada fez? Estava preocupado com o quê? Se reuniu com quem? Fez o que de bom?

Há um bom tempo que se discute a privatização dos aeroportos. Os petistas, e os esquerdistas que os mantêm no poder, por sempre achar que é melhor um esquerdista incompetente do que u (cof, cof) "direitista" competente (e desde quando PT e PSDB se diferenciam em muita coisa?), continuam com um berreiro estatizante. Além de terem saudade da época em que se declarava "linha telefônica" no Imposto de Renda, agora pensam que é melhor ver um Estado causando mortes do que uma empresa lucrando para prestar serviços de qualidade à população.

O triste mesmo da história é que, além da "piada" que foi o relaxa e goza da Marta, quem não apenas sofre, mas quem morre por culpa de tramóias estatais e falta de trabalho de petistas que não deveriam estar em seus cargos é a população, que paga caro para perder a vida numa zona de caos. Outra vez, a azarada da vez foi a TAM, no mesmo Congonhas onde um Fokker seu caiu perto do aeroporto, e de onde outro Fokker seu decolou, sofreu uma explosão no ar e, mesmo assim, matou apenas uma pessoa, conseguindo aterrissar sem mais tragédias.

Não me surpreenderia se, não só em comunidades orkutianas, mas até capas de revistas semi-estatais, como a panfletagem mentirosa e perigosa de Mino Carta, apontassem teorias absurdas, querendo jogar a culpa no PSDB - a revista de Mino, no ano passado, ficou encimesmada com o comitê de propaganda do PSDB estar na sede da PF, no dia da prisão dos envolvidos no dossiê, e primeiro quis apontar supostas relações promíscuas dos tucanos com a Veja e a Globo (que, pecado dos pecados, mostrou imagens da dinheirama usada para a compra, enquanto Carta Capital batia na tecla de que comprar informação não era ilegal), mas, no número seguinte, quis vender a estapafúrdia idéia de que os próprios tucanos teriam crio tal dossiê. Agora, talvez inventem de que algum tucano encheu a pista de óleo para poderem jogar a culpa em Marta, tão trabalhadora e empenhada.

O PT, que de vermelho tem mais de assassino do que de vergonha na cara, dificilmente admitirá suas culpas. Tristeza maior ainda deles: documentos obtidos pelo jornal Zero Hora mostram que um avião da FAB (não o Aerolulla), levando Fernando Henrique Cardoso, esteve a 24 segundos de colisão com outro Fokker 100 da TAM (esses Fokkers precisam de uma benzedeira), levando 100 passageiros e cinco tripulantes, nos céus de Brasília em junho de 2002. Mas, petistas, não se preocupem: agora temos uma sexóloga nos ares para foder com nossas viagens.

(tanto o prefeito José Serra quanto a TAM confirmaram que o deputado federal Júlio Redecker, do RS, foi uma das vítimas do acidente. Aparentemente, nenhum outro político estava no vôo, que faria conexão com Brasília.)

This entry was posted on quarta-feira, julho 18, 2007 at 02:53 . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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